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Maddie, duas vezes vítima

Você deixaria sua filha de 4 anos dormindo com seus irmãos de dois anos de idade, num quarto de hotel, longe de casa, de …

Você deixaria sua filha de 4 anos dormindo com seus irmãos de dois anos de idade, num quarto de hotel, longe de casa, de qualquer referência física ou emocional que pudesse ajudá-la a se localizar caso se perdesse e iria jantar calmamente, num restaurante próximo? Sinto muito. O desaparecimento da menina Maddie, na Praia da Luz, em Portugal, na outra semana, é terrível e ponto.

Inglesa, sem, com certeza entender nada de português, Madeleine sumiu do quarto de hotel onde dormia. Os pais, diz o noticiário, só alertaram a polícia três horas depois. Dá-se o desconto do choque inicial, essas coisas que aparvalham qualquer um quando acontece uma desgraça dessas. Mas não dá para deixar de assinalar algumas coisas estranhas no comportamento dos pais. Incluindo o fato de eles terem recusado a oferta do hotel de disponibilizar uma babá eletrônica para o quarto das crianças. Olhe lá: não estou fazendo qualquer tipo de acusação, a não ser a de desleixo ou excesso de sossego. Também me incomoda a aparente (eu disse aparente) frieza dos dois quando aparecem nas fotos, seja solicitando ajuda, seja agradecendo a rede solidária que se formou.

A propósito: em tempos de web, há mais de 40 mil páginas quando se vai ao google e digita “desaparecimento de Maddie”, 9.800 deles são blogs. Isso até esta sexta, dia 18, 11h54 da manhã. E há muitos blogueiros portugueses fazendo críticas tanto à atitude digamos negligente dos pais quanto às trapalhadas da polícia da terra durante as investigações.

Agora, temos aí uma campanha internacional com levantamento de fundos para dar sustentação a esta triste busca que, queira Deus, pode ter um final menos infeliz, já que o estrago – no que diz respeito às conseqüências deste desaparecimento – está feito, tanto para a menina quanto para a família em seu todo. Bonita e louvável a iniciativa da campanha, o engajamento de diversos setores e pessoas, o esforço conjunto para remediar o mal. E que sirva de alerta a todos os pais, em especial os confiantes, que acham que chavear a porta do quarto dos filhos enquanto eles dormem basta para mantê-los a salvo de toda esta diabólica realidade que se abastece de pedófilos, seqüestradores e ambiciosos sem medida que enche o mundo e, desgraçadamente, não tem fim.

Autor

Maristela Bairros

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