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Cala a boca

Neste sábado, os venezuelanos deverão estar nas ruas em defesa da RCTV, o canal privado de televisão que Hugo Chávez quer tirar do ar. …

Neste sábado, os venezuelanos deverão estar nas ruas em defesa da RCTV, o canal privado de televisão que Hugo Chávez quer tirar do ar. Na noite de quinta, o Jornal da Globo apresentou matéria de bom tamanho mostrando a marcha, convocada pela oposição ao governo chavista, em favor da cinqüentenária emissora ameaçada e especialmente em favor da liberdade de expressão. Os manifestantes entregaram documento a integrantes da Organização dos Estados Americanos e, segundo os políticos que lideraram o movimento, não se trata de defender um canal de televisão, e sim os direitos dos venezuelanos de escolher o que querem e o que não querem ver.

Uma consulta ao site Terra brasileiro, ainda no final da noite de quinta, mostrou que a notícia da ida a OEA foi ignorada. O Terra venezuelano, por sua vez, fez o papel oficialista, informando que “o governo venezuelano autorizara a manifestação convocada para sábado”, enfatizando palavras de dirigente chavista sobre a não-tolerância às normas para o protesto – leiam-se atos de violência. Bem ao estilo do chefe, a autoridade entrevistada ameaça: “não se atrevam, porque se se atreverem, se arrependerão, estamos advertindo. Senhores, aqui existe um Estado de Direito”.

Mas não é só a equipe especialista em bravatas (oxalá seja só isso) do patético Chávez que anda querendo meter a mão nas mídias. No Peru, jornalistas se mexeram para reclamar da intervenção nos canais 15 e 27 de TV e mais quatro rádios de Chimbote, sob alegação de que suas licenças estariam vencidas.

Nos regimes de exceção, é a coisa mais normal do mundo calar a boca dos veículos de comunicação. O Jayme Copstein relatou aqui no Coletiva, esta semana, o episódio ocorrido durante o período militar brasileiro em que o então diretor da Caldas Jr. enfrentou a ação da censura e da repressão obstinadas em tirar o Correio do Povo de circulação. Agora, em governos que se dizem democráticos, teoricamente eleitos por escolha da população, é duro engolir tais decisões.

Está certo que, com a Internet, não tem como controlar a informação. Podem fechar todos os canais de TV, rádio e todos os veículos de imprensa que sempre vai ter um cara espinhento, num quartinho bagunçado, pronto para conectar o mundo através de um modem e um computador. Porém, jamais se pode aceitar que governos tentem manipular informação. Que isto acontece, todo mundo sabe. O que importa é resistir.

A história da criação da emissora (emissoras) estatal (TV pública é eufemismo) de Lula não morreu, está cozinhando “a fuego lento” no fogão do chef Hélio Costa e equipe. Não vejo grandes mobilizações da categoria, via sindicato e outras associações, para vigiar os movimentos desta turma e cortar a mais nova invenção de como gastar mais dinheiro do contribuinte para enaltecer o poder oficial.

Há quem reclame da exibição dos vídeos do assassino de 30 e tantas pessoas na universidade norte-americana há pouco por uma das maiores redes de informação do planeta. Pior seria não existir esta rede. Pior seria não poder saber de nada. Os DIP da vida não morrem. Ficam encantados, à espera dos Chávez e acólitos que lhes darão o beijo de retorno à vida. Que medo!

Autor

Maristela Bairros

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