São dez e treze da noite deste domingo de eleição. A disputa entre Yeda Crusius e Olívio Dutra está praticamente decidida. Diferença ridícula, mas decisiva. Coisas da matemática e fim. Rigotto está, então, fora da disputa para o Piratini. Há pouco, ouvi Manoela, que leva mala, cuia e mais foice e martelo para Brasília, tão entusiasmada, e Paulo Borges, bem-humorado como sempre, os grandes vencedores das urnas gaúchas especialmente pela novidade que trazem. Flávio Porcello, comentando para a TVE desde a tarde deste dia primeiro, insistiu muito na questão do novo, da aposta do eleitor em quem traz, conforme anuncia, novos ventos, novos tempos. Manoela e Paulo são jovens, têm carisma, são jornalistas, ambos sabem bem usar seu talento de comunicadores para vender seu peixe. Mesmo assim, é curioso que o gaúcho aposte em vertentes tão opostas quanto o PC do B e o PFL para entronizar os novos vencedores. O gaúcho me espanta. Todo mundo quieto, pouca bandeira e adesivo nos carros, escondendo o jogo.
Mas este amorcegamento da gauchada não me espanta mais que as pesquisas.
No início da noite, se falava em pesquisa de boca-de- urna do Ibope apontando empate técnico entre Rigotto e Olívio. Quase uma hora depois, os números do TRE mostrariam que não era nada disso.
Como sempre, tive de superar com estudo dobrado minha falta de apetite para os números, fico meio pasma com quem vive disse e ainda erra feio.
Agora, tudo é passado – pesquisas, campanhas, expectativas. Tanto dos que ganharam quanto dos que perderam. Os que não vão além, recolhem as bandeiras e, seria bom, param para pensar o que motivou a derrota. Os que prosseguem na peleia também apagam o resultado, zeram tudo e vão gastar o mês de outubro queimando neurônios para achar jeitos de vencer o adversário. Passado para ambos, repito.
O que se pode pensar do que aconteceu? A linearidade da campanha, sem grandes embates, não deixava antever o atual resultado e só aumentou o mistério. O que estarão querendo os eleitores? Será verdade que eleitores de Rigotto votaram em Yeda para evitar a subida de Olívio? Tenho, a esta altura, mais dúvidas do que certezas. Mas, tenho bem claros meus desejos, seja qual for o vencedor: que governe com justiça, esquecendo ranços e preconceitos, sepultando o maldito radicalismo que impede a lucidez. Que honre o voto que recebeu, levando em conta que sair da cama e apertar botão numa urna num dia de descanso representa mais que cumprir o papel de cidadão, representa uma procuração, uma delegação de poder. Que não pense apenas nos quatro anos que tem pela frente, mas se dê conta que estará governando para gerações que estão para chegar e que vão colher resultados do que ele está plantando em sua gestão. E que resista, com todas as suas forças, às investidas dos que compram conchavos e dos que, sem saber perder, enchem malas de dólares e reais para tentar, burramente, comprar calúnias ou meias-verdades.
Boa, sorte, então, ao vencedor.
