Não fosse o golpe de estado da Tanzânia, certamente as eleições brasileiras – e Lula – teriam uma cobertura maior de que a de que foi verificada na imprensa internacional.
Para quem cobriu o evento (The Economist, El Pais, Il Financero, Financial Times), a pergunta era: “Quem é este o homem? O que fez pelo país?”. O homem é Luiz Inácio Lula da Silva, Lula. Para tentar responder a esta pergunta, a prestigiosa revista The Economist apresentou três matérias em edições diferentes. A primeira tratou das armadilhas para quem solapar o crescimento futuro. A segunda, as benesses de Lula. A terceira equilibra uma trajetória desde a importância muito relativa dos sacolões de comida com criança na escola. “Este homem é o demônio, precisamos exorcizá-lo”, diz o culto FHC, depois que Lula comparou-se Jesus Cristo.(Folha de S. Paulo). Agora há uma possibilidade, com Alckmin no segundo turno.
O QUE O ESPERA?
O que o espera é aquilo que plantou (Estadão). Tivemos um crescimento ridículo, entre 2 a 3%. E o campo ainda mais: a receita deve cair este ano em 30%, à espera de estradas, hidrovias, ferrovias. A agricultura está com medo de Lula – do real sobrevalorizado que implantou. Como toda a produção está sofrendo pelo real, o que inviabiliza as empresas exportadoras, como avalia The Economist, estas estão procurando outros paises para se instalarem (casos de Azaléia e Marcopolo). O real forte inibe as exportações, pois ninguém quer comprar mais caro.
Enquanto isto, ajudamos a China e seus 10% de crescimento com ainda mais. ferro, soja, carvão, que para lá se dirigem .Não se tem as cifras divulgadas sobre a quantidade de carvão e ferro que vão para a China, mas elas são bastante signficativas.
A culpa não é da China, de crescer tanto e nós tão pouco. Um mercado em crescimento, próximo aos 10% – e foram os navios carregados de carvão, ferro e produtos agro-pecuários que trouxeram divisas para o país. E sobrevoando tudo isto estão os capitais e fundos financeiros internacionais, pois está havendo uma nova onda de dinheiro no mercado. Por isto os juros altos (ah, Armínio Fraga) para atrair estes capitais. Abstraindo as sacolas de comida-escola, fatores mais sérios contribuíram para o sucesso: a inflação estabilizada e 28% de aumento real no salário mínimo (El Pais).
UMA LUZ QUE SE APAGA
Hoje nos parece ridículo que eleito presidente, Lula tenha viajado do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, para Davos, na Suíça, para bradar contra a fome. Auditório errado, e ouvintes errados. Lula foi recebido como um interlocutor confiável, correu o mundo falando contra a fome e pouco mais fez do que elevar os 3,5 milhões aplicados por Fernando Henrique Cardoso para 8 milhões.
As conseqüências do que fez e do queixou de fazer: dirigente máximo da maior nação do sub-continente, deveria tornar-se o porta voz da América Latina. Mas deixou o lugar para Chavez. Com isto, temos menos força na OMC, e na possibilidade de participar do Conselho de Segurança do ONU. A União Européia já se queixou da falta de um porta-voz da América Latina, mas Lula não tomou qualquer iniciativa. Continuou na sua atuação incompreensível no país, e sua abstenção pelo que ocorre lá fora…
NOVA ELEIÇÃO
Não esqueçamos: segundo turno é uma nova eleição. Não se sabe que armas serão usadas, como diria o falecido cineasta Glauber Rocha, o do “Deus e o diabo na terra do sol”.


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