Enquanto o público assistia a um pronunciamento de George W. Bush em New Orleans, Kyra Phillips, âncora da CNN, batia papo com uma colega no banheiro sem saber que seu microfone de lapela sem fio estava aberto. “Sou muito feliz com meu marido. Ele é bonito e fofo, entende? Sem ego”, elogiou a apresentadora, que também falou sobre o irmão: “Tenho de protegê-lo. Ele é casado, tem três filhos e a mulher dele é supercontroladora”, prosseguiu, até ser alertada sobre a gafe. O telespectador por certo achou mais interessante do que a fala de Bush, mas Kyra ficou mal com a cunhada, o que, pensando bem, pode ter sido um bom negócio.
Gafes do gênero se repetem com freqüência, apesar do risco óbvio. Uma das mais célebres foi protagonizada pelo então ministro da Fazenda Rubens Ricupero, em 1994. Ricupero conversava com o apresentador Carlos Monforte, da Globo, antes de entrar no ar, quando cunhou a frase que virou bordão da vida pública nacional: “O que é bom a gente fatura; o que é ruim a gente esconde.” O instante de sinceridade, captado por parabólicas, custou-lhe o cargo.
Nas eleições municipais de 2000, o presidente Lula contribuiu em grande estilo para o catálogo das gafes antológicas diante das câmeras. Lula se aprontava para gravar o programa eleitoral em apoio ao candidato do PT à prefeitura de Pelotas, Fernando Marroni. Enquanto ajeitava a gravata do discípulo, falou: “Pelotas é uma cidade-pólo, exportadora de veados?” A notícia contou com a complacência da companheirada da Internet. Na mídia tradicional conseguiu, por meio de ação judicial, impor censura a empresas como o Diário Popular de Pelotas, a RBS, a Caldas Júnior e a Rede Globo. Não seria a única manifestação homofóbica do companheiro presidente.
“Se eu deixar que me chamem de bêbado sem fazer nada, daqui a pouco alguém vai dizer que eu sou gay e vocês não vão me deixar fazer nada”, declarou em outra ocasião.
Pedro Bial também revelou suas impressões sobre os gays. Em 1998, durante uma apresentação do balé Kirov no Fantástico, imaginando-se fora do ar, comentou: “Isso é coisa de veado”. Bial jura até hoje que a voz não era dele, embora tenha uma das vozes mais identificáveis do Brasil.
Uma das gafes mais recentes foi do próprio Bush, ao comentar com Toni Blair que seria bom que a Síria interviesse no conflito Israel x Líbano, “para acabar com aquela merda”. Considerando-se o perfil de Bush, até que foi pouca coisa. Mesmo porque guerra é sempre uma merda.


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