Dia cheio, este, em que viramos notícia nacional pela proeza e audácia dos sujeitos que andavam querendo reinaugurar, quem sabe, os túneis secretos que um dia cruzaram Porto Alegre. Que cara de pau: ali, em plena Caldas Júnior, brincando de toupeiras. Dá para acreditar? Devem ter visto o filme aquele do Clive Owen, O Plano Perfeito. Essa mania de macaquear os irmãos do norte, diriam os mais extremados patrulhadores.
Detalhe irônico: não muito longe, em frente ao Margs e ao Banrisul, nossos arqueólogos delimitaram um quadrado da Praça da Alfândega para vasculhar vestígios do velho porto. Ia ser muito bizarro se os guris do Marcola tivessem chegado antes ao tesouro histórico.
Tudo bem. Não tem muita graça. Eu estou sem graça! Estou meio com espírito de porco, é verdade. E sem muita paciência para o que leio. É que tudo me parece tão dudamendonça, sabe? Não que eu não reconheça a importância do trabalho da PF e até vou dar um voto de confiança ao ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos que nega de pé junto que estejam fazendo uso eleitoreiro do trabalho dos federais. Aliás, minha solidariedade ao pobre do ministro que se queixou à Veja de ter de andar com meia dúzia de seguranças a ponto de ter até perdido a vontade de ir ao cinema, coitado. Os sacrifícios que se faz na vida para ser ministro, santo Deus!
É que estou em casa, com perna entalada depois de dar um joelhaço no maldito engate de reboque sem sinalização da Caravan do meu vizinho do andar de cima, na mal-iluminada garagem do meu prédio. Quando a gente está com dor, não consegue achar muita graça em nada. Acho que é por isso o meu azedume.
Enfim! Estou zapeando a tv, ouvindo rádio e, claro, navegando pela rede. Fiquei de olho na Globo para saber o que revelariam as múltiplas chamadas de “tudo sobre a tentativa de assalto”. Ficaram me devendo a informação.
Acompanhei desde cedo, nesta sexta, as matérias sobre “o fato” que, se outras virtudes não tiver, pelo menos nos tirou dos bocejos diante de tanta propaganda eleitoral ruim.
Vi no Terra, primeiro, uma matéria que anunciava muito e apresentava pouco. Enquanto aguardava os detalhes que certamente viriam, passeei pelos arquivos do Bob Fernandes. Tem ali um arquivo de maio, chamado Eles Venceram, no estilo frases curtíssimas, de impacto, como se o venerável jornalista estivesse tão assustado que nem conseguisse ir além de duas palavras: cidade vazia, ponto; tudo escuro, ponto; fechado, ponto. Parei tanto nos pontos que não consegui ler toda. Tem outra matéria de Bob, de ontem, que analisa a operação para cerco ao PCC e traz uma oportuna tentativa de historiar a origem desta organização. Estava indo bem na leitura até que tropecei nesta frase: “O PCC deve ter hoje, calcula-se, cerca de três mil homens orgânicos espalhados pelos 144 presídios de São Paulo.” Alguém pode explicar para esta jornalista forçada à quase total imobilidade o que são homens orgânicos? Ou pior: já existirão homens transgênicos?
Meu querido Sérgio Nogueira, que me enviou um mail tão gentil esta semana: me explica, por favor.
