A notícia do site do Terra, esta semana, em meio a todo o frenesi das passarelas em São Paulo, dava conta que a equipe de TV do programa GNT Fashion levou vaia de convidados e até de coleguinhas da imprensa por ter se passado durante a conversa com a apresentadora Eliana, pouco antes de um desfile. Lilian Pacce não só ignorou as reclamações como continuou papeando, fazendo comentários durante o vaivém das tops e, mal acabada a função, voltou à entrevistada para completar seu trabalho. Fica interessante a gente assistir à mídia falando mal de uma atividade da mídia. Afinal, teoricamente, a moça estava lá para cumprir sua pauta. Ela é do tipo sem limites, é claro. Mas não deixou de ser firme e imune aos muxosos em volta.
Nesta sexta, a revista Chi, de Milão, foi a bola da vez por ter publicado fotos da princesa Diana agonizando, presa nas ferragens do carro em que se acidentou- e isso tem praticamente dez anos e ainda é notícia!!!. Houve manifestação até do sogro poderoso, gente falando nos pobres dos filhos reais (os mesmos que vivem aprontando e, claro, sendo notícia) tendo de ver aquele horror todo.
Enfim, de novo, a questão temos de volta, como assunto, o limite do que é ético e do que não é na atividade jornalística. Já vi muito repórter quase quebrando tanto a própria perna ao correr para chegar ao entrevistado quanto os dentes do próprio, quando chegava à sua frente. Não tem organização britânica para estas coisas: quando se trata de entrar no ar, mandar informação para rádio ou televisão e cumprir tarefas, jornalista ou se arrebenta e faz o que tem de fazer, ou pode ir arrumando a gaveta.
No caso das fotos da princesa britânica, até quem nem liga para imagens de gente destroçada por bombas, tsunamis ou terremotos, se escandalizou com a sordidez da exposição de alguém em seus últimos momentos, indefesa. Continuamos sendo os reis do dois pesos/duas medidas. Vender desgraça é antigo, e corre parelho com o vender lindas paisagens ou, mais comum, belos traseiros de loirinhas produzidas em série e peitos sarados (veja-se a quantidade de jogadores de futebol fazendo comercial de cueca mundo afora), e ninguém reclama.
Lembro daquela reportagem da revista Cruzeiro, quando eu era menina, exibindo o horror do circo que pegou fogo, no Rio, com gente torrada em página inteira. Também me ocorre a lembança do olho meio aberto de Che Guevara naquela foto que virou poster. E os pedaços dos Mamonas Assassinos espalhados na selva e que viraram objeto de culto nos sites, logo depois do acidente. Vamos reconhecer que temos um pezinho fincado na desgraça. Se fosse diferente, jornal popular não venderia nem programas televisivos que expõem as intimidades caseiras de desconhecidos teriam patrocínio.
Reagimos conforme nos dá na telha, de acordo com o humor do momento. A entrevistadora mala, que incomoda com seus cacarejos quem quer ficar em paz, não difere do paparazzi que clica sem parar a última celebridade dos últimos 15 minutos. Mundinho medíocre, realmente, cheio de falta de assunto! Repete, repete, repete os temas, os personagens, os cenários. E vende feito doido. Para quem se irritou com a repórter-gralha, um aviso: não vai mudar.
