Mais de um década depois de fundar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, o venezuelano Juan Pérez Alfonso perdeu o amor pelo petróleo, segundo El Pais. Ele vê nacionalismos extremados, prejuízos para as economias ocidentais e, o que é mais grave, a autocracia e o populismo:”É a maldição dos recursos em excesso”.Uma vez Bush diz que enfrentou os olhos de Putin. Eram simples. Hoje ele veria a Gazpron, a estatal de gás, que domina a Europa oriental, o poder ds energia. Nigéria. Usebequistão, Angola, Arábia Saudita, Chade e Síria cortaram suas democracias incipientes. Como diz Alonso, a maldição do recurso pode levar tanto à autocracia como ao populismo. Chavez, presidente da Venezuela, e Evo Morales, presidente da Bolívia, seguiram o populiasmo.
Agora Evo Morales tomou medidas draconianas. Todas as empresas de energia do país devem entregar 51% de suas ações à estatal YPFB, e dirigidas pelos funcionários por ela indicados As desapropriadas foram a Petrobrás que, através da EBR, opera duas refinarias no país, a Transredes, controlada pela anglo-holandesa Shell, a Companhia Logística de Hidrocarburetos (CLH), de propriedade de um consórcio de empresas locais e estrangeiras, a Andina, controlada pela Repsol YPF, e a Chaco, operada pela norte-americana BP El Almoco.
PROCURAR NOVOS PARCEIROS
Segundo a Reuters, neste segunda, 8, a Petrobrás rejeitou diretores indicados pela estatal boliviana. O presidente da Petrobrás disse que hoje, dia 10, pretende discutir com a Bolívia uma indenização pelas desapropriações. A principal questão nas duras negociações com a Bolívia, segundo o Financial Times, depois da teatral nacionaliação dos hidrocarbonetos, será o preço do gás.
A questão, desde já, não é tão simples, como diz Herald Tribune. Todas as companhias estariam ávidas para continuar operando na Bolívia, diante do capital que investiram e das perspectivas de preços atraentes. Mesmo assim, a longo prazo, a Bolívia terá que procurar novos parceiros.
PAPAI CHAVEZ
Com Fidel, Castro e, agora, Evo Morales, forma-se um triângulo que afetará toda a América Latina? Fidel Castro deve falar dos sonhos de sua juventude. Mas existem passos mais presentes, como a eleição do esquerdista Ollanta Humaitá no Peru, vencendo Allan Garcia, “um branco”. Chavez, o populista mais rico do mundo (US$ 45 bilhões/ano), encarregou-se da Bolívia, enviando desde médicos até técnicos em mineração, estes últimos com a prioridade de transformar o gás comum em gás liquefeito, de mais fácil comercialização. Não se sabe o que diria o venezuelano Paulo Alfonso, criador da OPEP, diante desta nova forma de populismo estilo Robins Hood, pois Chavez destinou US$ 4,5 bilhões a programas sociais.
ONDE ANDA LULA?
Lula é considerado pelo restante do mundo como um líder de esquerda. E deverá estar como um dos principais negociadores do processo que a envolve a Bolívia. Lula começou a semana com o nacionalização de Evo Morales, disposto a intervir. Enrolou-se nas declarações feitas contra seu governo por Sílvio Pereira, secretário geral do PT até julho, quando foi demitido por sua participação no suposto esquema de corrupção que assola o governo havia um ano. Em Brasília, antes da publicação da entrevista, Pereira colocou Lula entre os principais tomadores de decisões. A pressão sobre Lula para que dê uma explicação mais convincente certamente aumentará. Mas o Partido dos Trabalhadores é esperto. Para proteger Lula, planejou viagens pelo mundo, inclusive no 14 de julho, data nacional francesa, em plena crise do mensalão. Agora, deveria é manter reuniões ativas sobre problemas como o boliviano. Aí sim é o seu lugar, e não enrolado na bandeira francesa.


*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial