O que falam do Brasil lá fora
MARCOPOLO FAZ AS MALAS
Do inglês Financial Times
Rússia, China e Índia serão os próximos endereços da gaúcha Marcopolo, encerrando a produção de peças no Brasil, conforme declarou José Rubens de la Rosa, executivo-chefe da empresa, ao repórter Jonathan Wheatley, do Financial Times. A razão é a valorização do real. “Não é algo que planejamos”, assegura de la Rosa. “Simplesmente vimos a necessidade e tivemos que fazê-lo.” Primeiro, a empresa cortou em 10% seus custos, mas isto não foi suficiente.
Possui fábricas em Portugal, Argentina, México, Colômbia e África do Sul. Operava em regime de CKD, enviando peças prontas para montagem. Depois, começou a elevar a quantidade de peças produzidas no exterior. A rápida valorização da moeda colocou à prova sua flexibilidade de maneira “que nem nós, nem nossos banqueiros e assessores poderiam prever”.Com segurança, de la Rosa afirma que, como os custos brasileiros estão elevados e não se vislumbra reversão, “é mais barato operar no exterior, uma decisão que não será revertida”. A tendência que se vislumbra é que agora a Marcopolo de Caxias deve atuar com CKD. A Marcopolo detém aproximadamene 50% do mercado de ônibus no Brasil.
A DISPUTA PELA SONAE
Conta o francês Le Monde
Em breve poderemos ver as já conhecidas bandeiras dos Supermercados Nacional trocadas pelas do Carrefour ou do Wall-Mart. O fechamento da negociação com a Sonae, no ano passado, foi um erro da imprensa brasileira. A Sonae Sierra, que atua também na Europa, vendeu 17,4% à britânica Grovesnor, numa transação de 218 milhões de euros. Supõe-se que sejam ações ordinárias porque cada uma ficará com 50% do capital da empresa. A “holding” da Sonae, liderada por Belmiro Azevedo, afirmou: “Com este acordo, a Sonae Sierra passará a ser a plataforma de centros comerciais e de lazer na Europa Continental”.
Este novo enfoque pode explicar as atuais negociações entre a Wall-Mart americana e a Sonae para vender todos seus ativos no Brasil, onde opera com as bandeiras Big, Nacional, Mercadorama e Maxxi Atacado. Esta venda não foi concretizada. O Carrefour, que também tem interesse nos ativos da Sonae no Brasil, está à espera do final das negociações entre a Sonae e Wal-Mart. “Estamos sempre atentos e discutindo com eles (Sonae)”, afimou Jean Marc Pueyo, executivo-chefe do Carrefour. “Parece-me que as negociações estão bem avançadas com o Wall-Mart. Estamos à espera da finalização deste processo para ver se há condições. Mantemos boa expectativa”. Segundo Pueyo, o Carrefour já comprou dez bandeiras BIG, embora não tenha dado sua localização.
UMA RENNER TRANSPARENTE
Do americano Herald Tribune
A Renner tornou-se a única empresa brasileira a não ter controlador. Pulverizou suas ações. Utilizou a Bovespa para ofertar estas ações e passou a ser listada no Novo Mercado – onde negociam-se somente ações de um seleto grupo de empresas. Estas têm como principal característica um alto nível de governança corporativa, ou seja, grau de transparência elevado em suas atividades. E transparência é fundamental no mercado acionário.
Os pequenos investidores ganham tendo a Bolsa de Valores como forma alternativa de poupança – algo bastante comum no EUA e na Europa.
Os fundos de pensão ou os poupadores individuais também demandam empresas transparentes como forma de investimento de longo prazo. As empresas, por sua vez, ganham ao terem acesso a formas de financiamento mais baratas e menos burocráticas, como as atualmente disponíveis pelos bancos. O jornal registra que, para que tal mecanismo funcione, é necessária mudança de mentalidade por parte dos proprietários das firmas. Em geral, os negócios na América Latina são tratados como familiares. Os donos acham que sabem o que estão fazendo e ignoram outras opiniões, particularmente dos investidores. A profissioalização é lenta nas empresas.


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