Tem horas em que estar conectado no mundo todo, podendo ser lido aqui em Porto Alegre ou em Barcelona, cansa. Esta coisa de aldeia global “bigbrotheriza” o mundo. Fica todo mundo se vendo, sabendo, falando. Às vezes, um pouco de privacidade calculada é bom. Falar só com os da aldeia. Ser conhecido só pelos da rua. Megaexposição pode ser bom para quem quer figurar na Caras, mas para cidadãos comuns é meio entediante, muitas vezes.
Claro que o oposto é verdadeiro, ou seja, há momentos em que é maravilhoso receber um email de alguém que está no exterior e leu a coluna lá e achou legal. Mas tem horas em que o lado ermitão se faz presente e aí…
Nesta linha, está sendo lançado um livro sobre Marshall McLuhann (McLuhan por McLuhan, ed. Ediouro), com uma coletânea de entrevistas e conferências interessantíssimas.
Uma das coisas que me chamou mais a atenção (e que talvez possa explicar o porquê da minha rejeição à superexposição) é que McLuhan entende (ou entendia) que o novo mundo que estava se desenhando (em que todos estão vendo tudo, podendo acessar tudo o que o homem já foi, já conheceu e já fez) virou uma espécie de loucura. Virou um inconsciente internético. Basta clicar e ver de tudo. E a proximidade com a loucura inquieta, pois o que nos separa dos doidos (politicamente incorreto… eu, hein?) é uma fronteira por demais tênue. Aí, nos apavoramos ao ver que agimos como os loucos em muitas situações. A proximidade com a loucura nos “contamina” de alguma forma. Tememos que a loucura se torne um vírus e sejamos tomados pela doideira.
Na realidade, já somos tomados de forma civilizada pela loucura. O que é o trânsito senão uma das mais primitivas manifestações humanas? Idem para uma fila de supermercado.
A hiperconexão nos aproxima de tudo e também da loucura. Talvez seja isto que também me inquiete. Vai ver, estou ficando (ainda mais) doido.
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