Três notícias, apresentadas quase em seqüência pelo Jornal Nacional de segunda-feira, informaram ao País o que muita gente já sabia: o Brasil estava literalmente desgovernado.
Primeira notícia: o presidente Lula viajou hoje para a Guatemala.
Segunda notícia: procurado pela reportagem para responder a críticas feitas pelo Judiciário, o vice-presidente José Alencar não foi encontrado.
Terceira notícia: o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, acusado de corrupção, ficou trancado em casa o dia todo.
A dúvida sobre quem manda no Brasil permeou o discurso de nove entre dez integrantes da chamada esquerda ao longo dos tempos. As opções eram várias: as elites, as oligarquias, o capital internacional, os Estados Unidos, os banqueiros, os empreiteiros, os militares, os políticos tradicionais. A estes se somaram em tempos recentes os narcotraficantes e os neoliberais, não necessariamente nesta ordem de gravidade. Poucas vezes, no entanto, o País esteve à deriva de forma tão explícita. Se o presidente está no exterior, o vice não é encontrado e o presidente da Câmara está no esconderijo, perdão, em sua residência, quem está segurando o timão?
Tal problema não existiria se o Zé Dirceu seguisse no governo. Ninguém se incomodaria com a ausência de Lula, Alencar e Severino se quem realmente importava continuasse no cargo, o Delúbio estivesse lá para não pagar as contas todas em dia e o Marcos Valério assinasse os cheques. Mas assim fica difícil.
Câmara Baixíssima
O primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi – sobrenome bom para trocadilhos, mas vou resistir –, uma espécie de Richard Gere em versão baixas calorias, reforçou o time com mulheres e celebridades e conquistou folgada maioria na Câmara Baixa, o que lhe permite aprovar o que bem entender, mesmo se rejeitado pela Câmara Alta. O Brasil também tem, à sua maneira, uma Câmara Baixa. Baixíssima, aliás.

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