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Linguagem universal

O esperanto tentou ser a língua universal. O inglês está tomando conta do mundo, mas está muito longe de ser a língua universal, pois …

O esperanto tentou ser a língua universal. O inglês está tomando conta do mundo, mas está muito longe de ser a língua universal, pois nos continentes pobres, como a América do Sul, somente uma pequeníssima parcela da população domina o idioma. E, no caso do inglês, há uma rejeição à língua por parte de alguns, por trazer associada a idéia de império que os norte-americanos propagam. A idéia de que seu povo, seu país e sua cultura são superiores.

Assim, não sei se um dia chegaremos a ter uma língua única e universalizante. Porque há dois lados do ser humano: o lado gregário, que valoriza a globalização, a convergência, a livre troca de informações, e há o lado individual, que valoriza a sua comunidade, o seu pago (como dizemos nós, gaúchos), as coisas da sua terra, a sua vizinhança. O lado gregário e universal força a adoção de uma língua única. Já o lado individualista e introspectivo diz que devemos ter, sim, uma língua única, desde que seja a nossa, não importando se é o português, francês, alemão ou inglês.

A única linguagem universal e totalmente aceita como tal é a arte. A música, por exemplo, transcende. Ela vai passando, sem pedir licença, por cima de fronteiras, derrubando muros, transpondo qualquer obstáculo. Ela é a moderna manifestação da fogueira da aldeia do homem pré-histórico, pois com ela os homens confraternizam, se irmanam e comemoram. Com a música, homens, mulheres, crianças, adultos, ricos e pobres, brancos, negros, amarelos, católicos, protestantes, ateus, judeus, enfim, pessoas de todos os tipos, se envolvem e se embalam.

Dois recentes exemplos são o Planeta Atlântida, realizado em janeiro em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, e o Carnaval. No caso do Planeta Atlântida, os jovens se vêem envolvidos por toda aquela atmosfera musical, embalam seus sonhos e consolam suas desilusões. Ouvem seus ídolos dizendo exatamente o que eles estão sentindo. E, mais ainda, ficam próximos uns dos outros.

A música tem esta capacidade de quase hipnotizar os espectadores, que se esquecem de tudo o mais, atentos às vibrações e à energia que só ela tem. Não por acaso as notas musicais são sete. Estas sete notas talvez sejam o rascunho da língua universal. São aceitas, adotadas e compreendidas em qualquer canto do mundo. Não foi preciso guerrear para isto. Não foi preciso destruir nenhum país nem matar ninguém para que as sete notas musicais ocupassem o espaço universal.

O Carnaval? O Carnaval é uma grande festa do samba. Ele traz, claro, um componente de “liberou geral”. As pessoas usam o Carnaval para extravasarem todas as suas frustrações, sentimentos reprimidos e até raivas. Mas quem já esteve ao lado de uma bateria de escola de samba sabe que é praticamente impossível não entrar no ritmo. O corpo parece obedecer a uma ordem superior. De repente, parece que não temos mais controle e aquela batucada, aquela energia, eles é que mandam. A linguagem universal é a dos sentimentos.

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Autor

Flavio Paiva

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