Nos EUA, na metade da década de 60, surgiu o movimento Black Power. Este movimento nasceu para que os negros americanos se defendessem contra o racismo e o lado mais reacionário norte-americano. Os negros, a partir de então, ganharam mais espaço e visibilidade na luta contra o racismo.

Como é comum, os negros, que eram segregados, maltratados e desprezados, se uniram e mostraram efetivamente sua força. Minorias (não necessariamente no sentido numérico, mas principalmente em termos de poder e respeito) fizeram, fazem e farão isto na história da humanidade. Os judeus podem ser citados como outro exemplo. As mulheres, com o Women´s Lib. A vantagem desta forma de ação é emprestar visiblidade imediata para uma causa, fazendo com que a sociedade olhe para si mesma e se questione.
O próximo grupo candidato a fazer um movimento deste tipo certamente é o gay. Os gays já conquistaram grande espaço e respeito. Porém, ainda há grande discriminação em determinadas áreas, como a profissional e de lazer: juízes de direito e de futebol gays são raridade; idem para empreendimentos imobiliários, hotéis, restaurantes, agências de turismo.
Pois a empresa Tecnisa, de São Paulo, está atenta e interessada neste público, desde 2003. Ela constrói prédios que atendam desejos e necessidades específicas dos público gay. Exemplo: cozinha americana e banheiras duplas, que não são facilmente encontradas.
Além disto, a empresa contratou um consultor específico para lidar com o tema (Marcelo Bonfá) que, por ser homossexual, sabe onde estão os detalhes que fazem a diferença, como evitar piadinhas por parte de mestres-de-obras, olhares irônicos ou mau atendimento. Ele realizou treinamento com todos os envolvidos no processo. Diz ele: “Expliquei que o gay só quer ser tratado como qualquer outra pessoa”.
O resultado? A Tecnisa tem 12% de seu faturamento (cerca de R$ 15 milhões) oriundos deste mercado. Romeu Busarello, diretor da empresa, ironiza: “Ainda ouço piadas dos concorrentes, mas enquanto eles riem, eu faturo alto.”
Já abordei esta questão antes, aqui nesta coluna. É que acho que, em especial, os gaúchos são por demais preconceituosos e, em função disto, estão perdendo oportunidades comerciais importantes. Há muito diretor de empresa que tem medo de ser considerado homossexual se sua empresa passar a atender este público.
É mais difícil? Claro, porque é ainda desconhecido, assim como foi quando as empresas começaram a se comunicar diretamente com as crianças. Mas alguns números não são desconhecidos: temos hoje em torno de 20 milhões de homossexuais no Brasil (conforme estudo da Store Gestão & Marketing). Estes, normalmente não têm filhos, o que deixa seu dinheiro disponível para ser investido em outras coisas. Faltam só as empresas, empresários, agências, profissionais de marketing mudarem seus conceitos e pararem de fazer piadinhas. E começarem a faturar.

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