Colunas

Convergência

Convergência é a palavra da moda no mundo tecnológico e moderno. Uma plataforma em que todos os equipamentos “conversem” entre si. O celular, com …

Convergência é a palavra da moda no mundo tecnológico e moderno. Uma plataforma em que todos os equipamentos “conversem” entre si. O celular, com o micro, com o palmtop, com a TV, com o equipamento de som, com o DVD, com o vídeo, enfim, todos falando com todos, numa Torre de Babel às avessas.

Fiquei pensando então se eu realmente quero esta convergência. Claro que, no quesito praticidade e agilidade, se ganha muito. Mas sei lá, acho que no quesito criação, imaginação, inspiração, talvez se perca. Explico.

Uma das coisas que mais sentimos falta na vida atual é a pausa. Seja ela para reflexão, cafezinho, cigarro, ioga. A correria, tanto no trabalho quanto na vida pessoal, nos impele a irmos cada vez mais rápido. Na verdade, já nem sabemos mais por quê. Ir tão rápido assim para chegarmos aonde? O excesso de rapidez é inimigo da reflexão. Quando temos pressa, não paramos para pensar, o que é essencial tanto para a saúde mental quanto para o progresso humano.

E o que tem isto a ver com convergência? Convergência é uma superaceleração, uma rapidez e pressa total, de que tudo se fale ao mesmo tempo. Convergência serve, entre outras coisas, para não perdermos tempo convertendo um arquivo ou software de um formato para outro. “Ganhamos” (?) tempo.

Mas eu gosto de perder tempo às vezes. A preparação para ouvir uma boa música. Criar um clima, uma iluminação, escolher algo para comer, algo para beber, preparar tudo. Aí, ir lá, fica garimpando um CD (um novo, um velho), neste CD escolhe uma faixa, coloca para ouvir. E, principalmente, ficar ouvindo, curtindo, pensando. Se eu considerar o MP3, por exemplo, eu através do micro ou do equipamento de som escolho as faixas a serem executadas em 2 segundos e coloco para rodar. Bom? Sim, principalmente se eu for fazer uma rave ou balada. Mas se eu quiser ficar ouvindo, “entrando” na música, talvez não seja o ideal. Acho que os tocadores de MP3 podem estar para a música assim como o coito dos coelhos para a vida sexual das espécies. Tudo rapidinho, vapt-vupt. Eles se reproduzem? Sem dúvida. Mas talvez a cópula deles não seja exatamente um primor em termos de prazer. Ou seja, cumpre(a cópula dos coelhos) parcialmente sua função.

Tudo bem. Alguns aí já começaram a me avacalhar, dizendo que eu devo chamar as gurias de cocota, usar guides e tudo o mais. E eu sei que um dos primeiros sinais da velhice é começar a rejeitar as novidades, os avanços da vida moderna. Mas será? Será que é só isto? Será que é só a minha velhice que está chegando? Não sei não.

Meu querido pai me falava que a moda e o comportamento humano funcionavam como uma espécie de pêndulo. Ora oscilavam para um lado (da calça boca de sino, da liberalização dos costumes), ora para outro (quem tem, como eu, uns 38 anos, deve lembrar que, logo depois que terminou a moda da calça boca de sino, veio uma das bocas das calças absurdamente estreitas). Acho que ele tinha razão. Acredito que estamos indo tão rápido, tão rápido, tão rápido que o próximo movimento da humanidade será andar, pensar e agir bem devagar. “Desconvergir”. Já há alguns sinais neste sentido, como o próprio slow-food (em contraponto ao fast-food). Outro sinal é o da preservação ambiental. Desmatamos, danificamos severamente o meio ambiente (e continuamos a fazer) tanto, mas tanto, que as pessoas começaram a se dar conta que era um caminho sem volta. E outro, sem dúvida, esta onda zen, que envolve ioga, massagem, meditação, enfim, práticas alternativas. Não sei quanto tempo vai levar para desacelerarmos, mas espero estar vivo para ver.

Lançamentos de livros

Depois de um tempo de ausência, volto a publicar alguns lançamentos de livros. Hoje, quero indicar:

Brinde! Grátis! Aproveite!

A Sua Próxima Grande Idéia de Marketing

Seth Godin

O livro aborda uma questão bastante atual e crucial nos dias de hoje: os gastos com marketing crescem na mesma proporção em que os resultados efetivos decrescem. Assim, há que se encontrar resultados concretos. Como fazê-lo? O autor sugere que as organizações busquem pequenas inovações, que sejam percebidas como algo realmente de valor pelos clientes, ao invés de procurar por lançamentos e descobertas revolucionárias.

O autor é profissional de reconhecida competência e, principalmente, está sempre à procura de novidades (que tragam resultados), além de ser um pensador, uma espécie de contestador do marketing.

Este e outros ótimos lançamentos você encontra em:

www.campus.com.br

Autor

Flavio Paiva

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.