Não, esta não é uma crônica de Natal, apesar da época. Até leva em consideração Natal e o Ano Novo. Porque é nesta época que os homens deixam de ser hipermodernos (conforme denominou o pensador francês Gilles Lipovetsky) para se tornarem antigos.
Hipermodernos são extremamente individualistas, consumistas e tecnológicos. A modernidade estava erigida em cima de três pilares centrais: mercado, individualismo e avanço tecnológico-científico. Pois, com o passar dos anos, exacerbamos esta condição, agudizando as três áreas referidas. Daí, Lipovetsky tirou o hipermoderno.
E o que tem tudo isto a ver com a época do ano? Porque nesta época, os homens tomam-se de um sentimento de fraternidade. O individualismo arrefece. O coração de pedra esquenta. Voltamos a ser um pouco mais irmãos. Olhamos para quem tem fome, para quem tem sede, para quem precisa de algo, de atenção e carinho. Olhamos para tudo aquilo que esquecemos nos outros 364 dias do ano.
A hipermodernidade pode estar tornando esta época do ano cada vez mais curta. Ao invés de termos um mês de sentimento fraterno, uns pelos outros, iremos gradativamente diminuindo para semanas, depois dias, e quem sabe horas. O nosso lado hipermoderno não pode servir a este triste fim. Ele tem que servir, isto sim, ao avanço tecnológico-científico. Ao progresso. E, no que se refere ao individualismo, que possamos regredir cada vez mais, até chegar a um tempo em que as pessoas tenham mais respeito e compaixão umas pelas outras. Neste caso, viva a antiguidade!
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Não posso deixar de citar um termo novo que li, no lançamento de um livro: neuróbica. Neuróbica são as técnicas para tornarmos nosso cérebro mais saudável. É a aeróbica do cérebro, digamos assim. Eu achei que já tinha visto muito em termos de neologismos, mas este é campeão. Não sei por que as pessoas acham necessário estar sempre inventando novas palavras para velhas coisas.

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