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Inovação mascarada

Está na moda a palavra inovação. Na verdade, se transformou na grande verdade universal das empresas. Todas querem inovar, como se só a inovação …

Está na moda a palavra inovação. Na verdade, se transformou na grande verdade universal das empresas. Todas querem inovar, como se só a inovação salvasse. Expie seus pecados, inove.

Em recente artigo na revista Forbes, porém, Sérgio Zyman (consultor de empresas), destaca o papel maquiador da inovação. A inovação está servindo para encobrir incompetência. As empresas acabam se preocupando mais em inovar do que resolver problemas. Há um problema? Resolva inovando, inventando, criando.

Na realidade, inovar para resolver problemas pode ser, sim, muito bom. Grandes invenções vieram a partir de problemas. Para solucioná-los, os inventores criaram algo novo, revolucionário. Mas há casos em que inovar não é a solução. A solução seria fazer o tema de casa, usar o remédio já conhecido. Marisa Monte canta uma música(de Nando Reis), chamada Diariamente, em que para cada problema estão associados suas curas. E são todas curas antigas. “Para lápis ter ponta, apontador; Para trazer à tona, homem-rã; Para todas as coisas, dicionário; Para que fiquem prontas, paciência”. E por aí vai. Ou seja, é muito da Receita da Vovó.

Em muitas circunstâncias da vida, o que é necessário é a Receita da Vovó. Seguir a Receita da Vovó pode significar usar o conhecimento acumulado ao longo de milhares de anos da humanidade. Claro, não se pode ser retrógrado, achando que só a vovó tem razão e que o progresso é o Mal. Mas também não se pode achar que a inovação e só ela traz solução. É que muitas vezes, seguir a Receita da Vovó dá mais trabalho. Só que, em muitos casos, é a coisa certa a ser feita.

A inovação não pode servir jamais para mascarar a solução. A inovação não pode ser o botox corporativo. E nem o botox pode ser visto como solução de uma vida humana. Estica aqui, puxa ali, botox aqui, pronto: nasce uma nova vida, um novo homem, uma nova mulher. Não é nada disto. As pessoas, hoje em dia, se atiram à ilusão de que a plástica também estica o espírito e tome bisturi. As rugas do espírito, estas jamais desaparecem. E isto não é ruim, como alguns pensam, em se tratando de rugas. As rugas, no caso do espírito, podem servir para fortalecer-nos, para que cresçamos como indivíduos e como espécie. Inovar ou manter sempre mais do mesmo? Como em tudo na vida, a dose de cada um é a resposta. A bebida, o amor, o trabalho, tudo pode ser bom, desde que na dose certa.

Autor

Flavio Paiva

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