A prática da panfletagem indiscriminada na sinaleira está em franca decadência. Graças a Deus. Não há coisa mais chata do que parar em uma sinaleira, hoje em dia. Vem uma verdadeira legião de pessoas a empurrarem seus panfletos. Uns mais elaborados. Outros, uns cartõezinhos sem a menor graça. Mas o principal: NUNCA o que me oferecem me interessa. Considero um verdadeiro fenômeno isto. Como podem me oferecer tanta coisa desinteressante? Oferecer, não. Empurrar. E se estou com a janela do carro aberta, então, nossa. Quase enfiam no meu rosto. Talvez queiram que eu coma os panfletos, não sei.
Sinto pena das meninas (normalmente as “panfleteiras” são do sexo feminino) que distribuem estes panfletos. Porque grande parte das pessoas estão rejeitando os panfletos. E aí, fecha o sinal, lá vêm elas, cheias de folders, panfletos. Elas vão tentando e as pessoas dizendo não, não, não. Abre o sinal, ficam elas cheias de material ainda por entregar. Às vezes pego uns panfletos, por pura pena.
O grande problema da panfletagem é o exagero. De uns anos para cá, não há sinaleira em que uma pessoa não venha trazer um panfleto. Sem falar nos que pedem dinheiro. As pessoas cansaram de ficar pegando panfletos e enchendo seus carros de papel. E passaram a rejeitá-los. Deveria haver uma regulamentação, um limite estabelecido. Assim como há com as faixas de rua. Quer colocar uma faixa na rua, convidando para um evento, divulgando algo? Há que obedecer uma série de critérios. Por que não fazer o mesmo com os panfletos? Seria uma alternativa.
Uma regulamentação que existe e não é cumprida é a dos canos de descarga dos caminhões. Se pára um caminhão ao seu lado na sinaleira e você está com o vidro aberto, prepare-se. Porque o cano de descarga dele fica exatamente ao lado do seu rosto. É inacreditável! E, mais do que isto, praticamente todos os caminhões têm uma emissão de fumaça enorme. Legal.
Você sai de manhã, banho tomado, cabelo molhado. Não quer ligar o ar condicionado (quem tem carro com ar condicionado…), ainda está fresquinho. Fecha o sinal. Um caminhão encosta ao seu lado. Abre o sinal e, com ele, vem uma nuvem de fumaça, com cheiro de óleo diesel. Resultado? Você acaba de colocar o perfume “Aroma de Frentista”. Você fica absolutamente impregnado do cheiro de óleo diesel queimado, o resto do dia. E por que isto acontece? Porque os donos dos caminhões se acham impunes, acham que podem expelir fumaça nos outros o quanto quiserem. Bastaria uma ação enérgica das autoridades, fazendo blitze, multando pesadamente quem está fora dos padrões exigidos e rapidamente os caminhões passariam a ser regulados. Quando dói no bolso, as pessoas parecem aprender mais rápido. Fazer o mesmo que foi feito quando do início da obrigatoriedade do cinto de segurança, só isto.
Além disto, não dá para entender por que os canos de descarga dos caminhões estão ainda ao lado, na altura do rosto das pessoas. Por que não são como os dos ônibus? Porque um cano de descarga de caminhão acerta em cheio os motoristas dos carros ao lado, e também os pedestres. Não consigo entender porque este absurdo continua. Parece estar faltando um mínimo de civilidade, por parte dos proprietários de caminhão, e de rigor, por parte das autoridades.

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