Li que os fabricantes de brinquedos lançam, volta e meia, reedições de antigos sucessos. Bonecas que fizeram sucesso há 15, 20 anos voltam e, novamente, fazem sucesso.
Não é possível que o mundo tenha piorado tanto e que as pessoas queiram ficar eternamente se remetendo aos tempos passados. O mundo não piorou tanto assim. As minhas avós já diziam que “No meu tempo era melhor”. Por que isto acontece, então, de as pessoas gostarem das sessões nostalgia?
Uma das razões é que o passado está definido. O que tinha para acontecer, já aconteceu. Já sabemos os problemas, as alegrias, não há mais surpresa. Assim, voltar ao tempo em que a gente era criança significa voltar a um lugar seguro. E quem não está buscando desesperadamente um mundo mais seguro, hoje em dia?
Um local onde não há surpresas negativas é uma pequena porção de paraíso. Sim, porque quando pensamos em paraíso, pensamos em algo tranqüilo. Assim, ao comprarmos um brinquedo que fez parte de nossa infância, não deixamos de estar “comprando” (revivendo é o termo mais correto) uma pequena parte dela e, principalmente, da eterna tranqüilidade que só as crianças têm.
Não ter surpresas pode ser também um grande diferencial em marketing. Quando vamos a um restaurante, por exemplo. Se não tivermos surpresas, ou seja, se encontrarmos aquele delicioso prato servido exatamente com o mesmo sabor e ingredientes do que da vez passada, com o atendimento cordial de sempre, a conta no mesmo valor, sairemos satisfeitos deste nosso pequeno paraíso, para fazer alusão ao universo infantil. Igualmente em uma lavagem de carros. Se o carro for lavado e entregue da mesma forma, ficaremos satisfeitos. Não é um discurso contrário à inovação. Sou contrário à verdadeira ditadura da inovação que tomou conta das empresas. Querem estar inovando sem parar. Mas, há que se perguntar: o consumidor quer mesmo inovação em cima de inovação?
Por outro lado, a criatividade e a inventividade do ser humano são, sem dúvida, seu maior atributo. Sem a inteligência, somos animais de segunda classe, já que não dispomos mais de atributos físicos para enfrentar a luta pela sobrevivência. Imagine-se hoje, se você tivesse que sair pelo campo, laçar uma vaca, matá-la e carneá-la… Foi a criatividade e a inteligência que nos permitiram evoluir. Outro exemplo que adoro: a música. As notas musicais são 7 há muito tempo. Mas a criatividade de nossos músicos e compositores (e o Brasil é pródigo em músicos e compositores) faz com quem diariamente surjam novas melodias ou até mesmo melodias antigas, reinterpretadas, mas totalmente diferentes.
Assim, não se trata de ficar no “antigamente” nem no novo, novo, novo! Como em tudo na vida, o equilíbrio é o essencial. E, diga-se de passagem, o mais difícil de encontrar.

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