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Recentemente, participei da II Expolic, que é um evento com feira(onde os principais players do licenciamento estão presentes com stands) e palestras. Numa das …

Recentemente, participei da II Expolic, que é um evento com feira(onde os principais players do licenciamento estão presentes com stands) e palestras. Numa das palestras, proferida pelo diretor de marketing da Estrela, Aires Fernandes, ele refere ao crescimento do poder decisório das crianças nas compras das famílias. A criança está determinando cada vez mais o que vai e o que não vai ser comprado pelas famílias.

Alguns pensarão aí: claro, ele é um fabricante de brinquedos. Mas não. O fenômeno se dá até mesmo entre produtos teoricamente não tão afeitos a crianças, como automóveis, por exemplo. E ele (Aires) cita o exemplo de uma pesquisa realizada pela Renault, fabricante de automóveis. Conforme esta pesquisa, 13% das decisões sobre cor e modelo do carro são determinados pela(s) criança(s) da família. O dado é impressionante.

O aumento da influência na decisão da compra por parte da criança se dá por alguns motivos. Vamos analisar alguns deles.

1) Pais cada vez mais ausentes, em função da vida atribulada e da demanda crescente para que se trabalhe mais e mais horas por dia. Em função disto, os pais querem atenuar o sentimento de culpa do qual são acometidos, oferecendo compensações à criança. Uma das compensações seria esta.

2) Aumento do nível de informação por parte da criança. Uma criança hoje sabe muitíssimo mais e é muito mais bem informada do que uma criança de 30 anos atrás. Um dos motivos é o verdadeiro bombardeiro de mídias a que são submetidas. Estamos falando de TV e Internet, por exemplo.

3) Quebra de hierarquia. Em função da situação detalhada acima, há uma quebra da hierarquia familiar. Um dos motivos(e somente um dos motivos) da hierarquia dos pais sobre os filhos era que estes detinham muito mais informação do que os filhos. Os pais evidentemente ainda detêm mais informações que os filhos, mas a distância entre ambos dimimuiu consideravelmente. Isto dá à criança a possibilidade de falar de “igual para igual” com os pais.

Como podemos ver, nossa realidade vai ficando mais e mais complexa. Serão necessárias muitas pesquisas para definir claramente como pensa este novo decisor de muitas compras da família. A cabeça de uma criança decide compras utilizando critérios distintos de um adulto. O fator preço, por exemplo, reduz de importância significativamente. Entra em campo o lado emocional e afetivo. Paradigmas diferentes.

Resta saber, ainda, se as crianças estão preparadas para este papel. Ou, melhor dizendo, como reagirão os microprocessadores de incontáveis gigahertz que elas têm na cabeça.

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Autor

Flavio Paiva

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