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De menas

Título do Correio do Povo, na edição dominical: “Schumacher corre pelo hepta.” O texto esclarecia: “O alemão Michael Schumacher poderá conquistar neste domingo, em …

Título do Correio do Povo, na edição dominical: “Schumacher corre pelo hepta.”

O texto esclarecia: “O alemão Michael Schumacher poderá conquistar neste domingo, em Indianápolis, o inédito título de pentacampeão…”

Schumacher, na verdade, corre pelo hexa.

Mais de menas

Duas páginas antes, matéria sobre a Bienal do Mercosul começava com esta frase:

“A maior exposição de artes visuais do Sul do Brasil tem data para começar: 4 de outubro”.

Ainda bem, uma exposição sem data para começar receberia poucos visitantes, isso se começasse.

No texto de apoio ficava-se sabendo que “O curador-geral da 4ª Bienal do mercosul, Nelson Aguilar, é o grande maestro da megaexposição.”

Esclarecedor saber que o curador-geral é quem coordena.

E que é o grande da mega. Pelo menos é superlativo.

De menas demais

Ainda mais duas páginas de trás para frente, sob o título “Grupo combate trabalho escravo” encontrava-se a informação de que “Prevenir e repreender o trabalho escravo no Brasil será a função do Grupo Executivo de Repressão ao Trabalho Forçado”.

Incomum, portanto, necessário esclarecer.

Sem falar na repetição em relação ao título.

E reprimir era mais adequado do que repreender, mas o editor é contra repetições.

Foi sem querer

Eu não procurava erros, apenas folheava o jornal. Achei melhor parar.

Cabresto

Rubens Barrichello segurou Juan Pablo Montoya na largada do GP de Indianápolis e depois fechou o colombiano numa curva. Nossa obediente mídia viu outra corrida. Rubinho teve problemas com o câmbio na largada, sacumé, as marchas não entravam. Foi o que ele disse. Se ele disse, é por que foi. Conforme li em algum lugar, Montoya, que estava “afetado”, foi quem atropelou nosso impoluto Rubens.

Afetado? Andaria Montoya desmunhecando? Acho que o redator quis dizer “transtornado”, mas nunca se sabe, vai ver ele tem informação privilegiada.

Falassério

Tipo assim, é melhor ler jornais de menas. Ninguém merece.

* Eliziário Goulart Rocha é jornalista e escritor, autor dos romances Silêncio no Bordel de Tia Chininha e Dona Deusa e seus arredores escandalosos e da ficção juvenil Elyakan e a Desordem dos Sete Mundos. Integra a equipe da ConsulteCom e escreve semanalmente neste site.

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Autor

Eliziario Goulart Rocha

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