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Libere um livro

A exemplo da maioria, também odeio correntes de internet. Certas pessoas não se mancam e entopem nossa caixa postal de bobagens de pieguice intragável. …

A exemplo da maioria, também odeio correntes de internet. Certas pessoas não se mancam e entopem nossa caixa postal de bobagens de pieguice intragável. O pior é que alguns se julgam meus

amigos, mas se me conhecessem minimamente jamais me enviariam tais besteiras. Desculpe, gente, mas eu tinha de lhes dizer isso, e por aqui é mais cômodo.

De vez em quando, no entanto, entra algo interessante. Minha querida Tânia Carvalho, esta sim me conhece e merece o título de amiga, me passou algo divino. Publico a íntegra porque vale a pena:

“Libere um livro!

Na manhã de 11 setembro 2003 não se esqueça de sair munido de um livro que seja importante para você.

Um livro que tenha mudado sua maneira de ver o mundo. Escreva uma dedicatória… e o libere! Libere-o na via pública, sobre um banco, no metrô, no ônibus, em um café… à mercê de um leitor desconhecido.

E você? Adotará um livro que esteja em seu caminho?

O dia 11 setembro não será mais um aniversário fúnebre, pois iremos transformar essa data. Juntos, transformaremos esta data em um ato de criatividade e generosidade. A mobilização será geral em Bruxelas, Paris, Florença e São Francisco. Vamos fazer isso também em nossas cidades aqui no Brasil.

Nessas cidades, um grupo de escritores, de toda confissão literária, liberará seus livros, em lugar público.

Engaje-se nessa idéia também! E faça circular essa informação!”

Que forma mais produtiva e lúdica de manifestar desejo de um mundo melhor? Como nosso lado utópico por vezes é só o que nos mantém agarrados a uma vida sem sentido, fiquei imaginando como seria se no mundo todo, num mesmo momento, todos fossem às ruas com livros nas mãos e os largassem em lugares públicos, e simultaneamente pegassem outros por ali deixados. Fechem os olhos e imaginem. Que bacana se for em qualquer data, mas que ótimo se for em 11 de setembro. Vivemos também de símbolos. Se Bin Laden e seus fanáticos sexualmente mal resolvidos tiveram o direito de nos legar uma data trágica, por que não teríamos nós, cidadãos da paz, de estabelecer nosso próprio parâmetro?

Valeu, Tânia, mande sempre coisas assim. Não conheço a extensão de tal movimento, não pesquisei nada, nem sei se alguém o levará adiante, mas, se você e eu o levarmos, já será um grande feito. Se imbecis supostamente guiados por ideologias – e estou pouco me lixando se são terroristas movidos por paixão divina (?) ou políticos poderosos guiados pelo desejo de reeleição, que se matem uns aos outros e nos deixem em paz – podem transtornar nossas vidas, que transtornemos as deles. Que arma mais poderosa e divina do que a palavra?

* Eliziário Goulart Rocha é jornalista e escritor, autor dos romances Silêncio no Bordel de Tia Chininha e Dona Deusa e seus arredores escandalosos e da ficção juvenil Elyakan e a Desordem dos Sete Mundos. Escreve semanalmente neste site.

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Autor

Eliziario Goulart Rocha

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