Nizan Guanaes recentemente declarou que os publicitários deveriam deixar de conviver somente com os publicitários, para terem diferentes visões, conhecerem outros mundos. Então, o assunto foi comentado e discutido e noticiado e divulgado. Por quê? Porque foi o Nizan quem falou. Já havia muita gente falando sobre isto há horas, entre as quais me incluo. Infelizmente, em especial os brasileiros parecem só pensar em determinadas coisas quando uma celebridade fala. Ou quando a sentença vem em inglês, como alguém disse há alguns dias. Pode ser qualquer bobagem, mas se estiver em inglês, muita gente acha que é verdade.
O ser humano é todo multifacetado tanto internamente(em seus aspectos subjetivos) quanto externamente, na sua vida cotidiana. Nos aspectos subjetivos somos ora emocionais, ora racionais, ora afetivos, ora bons, ora maus. Nos interessamos pelo preço do barril de petróleo, pela célula de hidrogênio(o novo combustível), pelo filho que assassinou o pai a machadadas, pela tartaruga que morre atropelada. No que se refere aos aspectos cotidianos, da vida prática, ora estamos no trabalho, ora estamos correndo no parque, falando com os pais, combinando o cineminha, indo à Igreja, abastecendo o carro, protestando, apoiando, virando e mexendo.
Assim, sempre defendi que as empresas, seus profissionais de marketing e agências de propaganda deveriam encarar o ser humano em todas as suas dimensões. De fato, o discurso destas era que faziam isto. Até podiam ter intenção, mas não faziam. Para fazermos algo como isto(de estarmos abertos aos diferentes seres humanos que habitam cada um de nós) precisamos estar na rua, com os poros cerebrais abertos ao que acontece. Não dá para saber como a vida realmente é olhando pelo vidro fechado do carro, com o ar condicionado ligado. Nem dá para saber como o mundo é freqüentando somente os mesmo lugares e convivendo somente com as mesmas pessoas. Isto vale para a vida privada, mas vale para a vida profissional também.
O quanto ganha um profissional de marketing se ele vai a um boteco? Muito. Ele poderá observar um PDV, as estratégias muitas vezes criativas do dono do local, como estão expostas as peças publicitárias desenvolvidas pela agência, o que os (como se dizia antigamente) fregueses compram mais, compram menos, o que parecem gostar mais, o que conversam, enfim, é uma verdadeira aula sobre o mercado(mercado consumidor). Igualmente ganhará ao andar de ônibus, ao ir ao teatro, ao passear de barco, ao participar de uma ONG e, principalmente, ao abrir a cabeça para estas coisas todas.
É preciso ver que somos muitos, diferentes e iguais em muitas coisas. Como o Nizan, um baiano apaulistado. Ou como o Washington, um seqüestrado. Ou vocês acham que estas coisas não os influenciam?
Bookman e Campus
Recebi os lançamentos das editoras mas, como gosto de fazer um comentário um pouco mais criterioso, estarei atualizando as dicas de livros na próxima semana, por pura falta de tempo. Mas posso assegurar que tem muita coisa boa e convido os leitores a visitarem os sites e conhecerem de perto:

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