As empresas, hoje, exigem profissionais com certificação: graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado. Em contrapartida, as pessoas correm aos centros de ensino em busca desta certificação. O que antes era diferencial (graduação e pós, por exemplo), hoje é commodity, é premissa para fazer parte do jogo.
Como era de se esperar, o ensino virou então uma indústria. Uma indústria altamente pujante, que faturou R$ 10,5 bilhões em 2002. Ao todo, são no Brasil 1.208 instituições de ensino superior privadas, incluindo com fins lucrativos, sem fins lucrativos, comunitárias, confessionais e filantrópicas. E segundo as previsões de uma consultoria do segmento(Ideal Invest), o faturamento deve em 2003 alcançar R$ 12 bilhões.
As universidades americanas lançaram ações em bolsas na década de 90. A DeVry, que foi a primeira(em 1991), vale hoje US$ 1,29 bi. O Apollo Group, o maior deles, vale hoje US$ 7,5 bilhões. E se associou ao grupo mineiro Pitágoras.
O ensino brasileiro se tornou efetivamente um negócio quando da aprovação da Lei de Diretrizes e Bases, há 5 anos. Desde então, foi permitida a criação de instituições de ensino com fins lucrativos.
Por ter se tornado um negócio, o ensino atraiu agências de propaganda e profissionais de marketing. Tendo em vista a concorrência, foi necessário que as universidades passassem a anunciar em veículos de comunicação. Como exemplo, podemos citar a Unip que, em 2002 investiu R$ 28,6 milhões em mídia, metade do que o poderoso ABN Amro Bank investiu.
Analisando outro aspecto, veremos que as universidades reúnem um público altamente diferenciado e apetitoso para muitas empresas: jovens, bom poder aquisitivo, alto nível de informação. Só para enumerar alguns segmentos que têm como mercado consumidor este público, podemos citar: telefonia móvel, provimento de Internet, automóveis, bancos. Os investimentos destas organizações junto aos grandes centros de ensino estão chegando e crescerão em larga escala. Isto porque as universidades dispõem de todos os dados cadastrais de seus alunos e os concentram geograficamente no mesmo local, sonho de muitas empresas que podem concentrar suas ações e esforços dentro dos campi.
Outro fenômeno interessante é que as universidades estão se tornando grifes. Com a demanda por formação acadêmica crescente, os jovens passaram a se apressar em mostrar adesivos, camisetas, pastas e outros itens que mostram que sim, eles fazem parte desta elite. Explorar estes produtos(como o fazem muito bem os americanos) é outro desafio que se impõe às universidades.
Uma mostra final do aceleradíssimo crescimento do ensino brasileiro é a realização do primeiro evento da indústria da educação no Brasil, que acontecerá de 12 a 14 de junho, em São Paulo. Virá nada menos do que a co-autora(escreveu com Philip Kotler um livro voltado ao marketing da educação). Informações sobre o evento: www.marketingeducacional.com.br.

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