Sempre acreditei que o principal para almejar novos e frutíferos horizontes é a educação. Parece clichê até, mas no mundo inteiro, a sabedoria adquirida com estudo ainda faz e sempre fará a diferença. As portas se abrem com maior facilidade e o conhecimento traz consigo uma série de benefícios que refletem em diferentes segmentos da vida. Essa semana iniciei um curso disponibilizado pela PUCRS, com Leandro Karnal e Luiza Trajano, chamado “Competências profissionais, emocionais e tecnológicas para tempos de mudança”. Confesso que fui fisgada pelo título e pelos professores, além do curso ser gratuito.
Para minha surpresa, Karnal destaca em uma das aulas a importância da educação, afirmando que “educação é a chave – quanto mais você investir em educação, mais você conseguirá se adaptar a um mercado em mutação”. Já me senti ainda mais à vontade para seguir prestando atenção no que viria pela frente.
O que você agregou de conhecimento neste período de pandemia? O que fez com essa maior liberdade de organizar o seu próprio tempo? Aprendeu alguma nova língua? Leu novos livros? Assistiu ou participou de lives com conteúdo para o desenvolvimento pessoal ou profissional? Confesso que no início dessa loucura toda, fiquei meio perdida. Muitos achavam que seria algo mais rápido e que voltaríamos ao “normal” em seguida. Não me cobrei nada, não me culpei do que deixei de ler, assistir ou fazer. Quando o negócio ficou feio mesmo, fomos nos dando conta que era necessário mudar o estilo de vida – obrigatoriamente. Passei a otimizar as oportunidades do distanciamento social e da aproximação pessoal.
Karnal comentou também que viver uma crise é uma oportunidade de desenvolver a capacidade de adaptação e inteligência emocional, nos obrigando a sair da zona de conforto. Temos diferentes atribuições, talvez muitos de nós está trabalhando ainda mais, acumulando funções profissionais, dando conta de casa, família, cardápio e homeschooling, nesta convivência restrita aos nossos e a nós mesmos. Junto com isso, também ganhamos algo que em tempos antigos (leia-se 5 meses atrás), não tínhamos tanto: autonomia.
Uso aqui, neste parágrafo, palavras ditas pelo professor e um dos maiores pensadores do país. “Autonomia é a chave da crise e do pós crise. Falo de autonomia ética e de iniciativa. Não fazer algo porque estão me cobrando, mas porque é necessário. É dizer que você é de fato alguém que não depende do olhar alheio para fazer as coisas”, argumentou Karnal. Caiu uma ficha aí também? Durante esta parte da aula ele ainda destacou sobre o mercado de trabalho, as mudanças que já vivíamos e o que virá daqui pra frente com tamanho aprendizado adquirido com as exigências que o distanciamento nos trouxe. Teremos um mundo de profissionais ainda mais autônomos e eu vejo isso como algo muito positivo. Nos tornamos gestores do nosso tempo, das nossas vidas, das escolhas a cada novo amanhecer e do nosso próprio projeto. Eu, por exemplo, descobri novos horários de criatividade, de inspiração, de concentração. Também trabalho mais tranquila, sem culpa de ficar mais de oito horas longe do meu filho, comendo mais comida caseira e gastando menos tempo no trânsito. Essa liberdade tem preço, custo e lucro. A pandemia pode ter chegado para realmente nos preparar para coisas que nunca antes pensamos viver, que fugiram de qualquer estratégia previamente planejada. Junto, trouxe possibilidades, lições e desafios que talvez precisássemos de mais anos de vida para compensar e colocar em prática. O que será dos próximos meses, ninguém sabe bem, obviamente. Mas uma coisa é certa: muita coisa não voltará a ser como antes – e que bom! Que todos nós possamos usar o tempo que ainda sobra para repensar, compensar, agregar, evoluir e fazer desta nova oportunidade a melhor das nossas vidas.


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