“O lápis mais fraco é melhor que a mente mais forte”. O autor da frase é o Rafael Wainberg e eu li no Instagram de outro amigo, Everton Netto. Foi essa pequena afirmação que me inspirou para escrever o texto desta semana. No mesmo momento que li, tinha terminado uma ligação de trabalho que durou 50 minutos e brifou a minha semana toda. Algo passaria se eu não tivesse com papel e caneta na mão, eu não tenho dúvida.
Diariamente me pego anotando, rabiscando, circulando, escrevendo no papel o que está sendo ouvido ou pensado. Meu raciocínio está diretamente relacionado ao que a ponta dos dedos registra. Eu lembro do lugar onde está no papel a anotação, a página, o contexto. Nele, toda a conversa (real ou mental) está ali. Com pontos do que mais chamou a atenção, com uma exclamação ao lado do que é mais importante, com a construção do pensamento sem obedecer as linhas do caderno. Tento, por vezes, tornar isso mais digital. Mas me pego fotografando a página que escrevi à caneta para ter acesso quando preciso, na palma da mão.
Rever as anotações é um constante aprendizado. É algo que me permite voltar, analisar, olhar os pontos de vista expostos ali e a partir disso, criar novos. Tenho um apego tão grande aos meus blocos e cadernos, que deixo muitos guardados em gavetas achando que um dia serão úteis. Geralmente, tem prazo de validade. São coisas mais pontuais, de trabalho. É como um diário, mas de comunicação. E claro, com letras que só eu entendo – ou por vezes, nem eu.
Quantas reuniões temos por semana? Quantas ligações? Quais as prioridades? Como organizar tudo isso só na mente? A mais forte, como disse o Rafa, falha. A gente esquece, não tem como lembrar de tudo. Ter anotações é um hábito e uma segurança. Tá ali, escrito, registrado, ilustrado. É o backup da memória. E talvez um gostinho pela escrita, pelas palavras e um autocuidado de comunicação.


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