Para escrever também é preciso ter estilo. De raciocínio, de construção, de ideias, de linguagem, enfoques e entonações, dentre tantas outras que podemos citar. Por vezes é uma escolha, e muitas outras algo tão natural para quem já cresceu com a ponta dos dedos falando por si. Vou confessar uma coisa a vocês: eu, quando estou escrevendo, tô literalmente colocando meu pensamento em formato de texto. E não tenho o costume de reler antes de publicar. É quase um “não dá para apagar/editar o que é dito”. Mas não indico tal comportamento, tendo em vista que sempre há algo que poderia ser aprimorado. Pedir para alguém passar os olhos no texto é uma alternativa, pois editar textos alheios é sempre mais fácil. Uma boa jornalista que se preze precisa – antes tarde do que nunca – ser autocrítica e começar a revisar seus textos.
Quando comecei a escrever, não imaginava que minha profissão seria essa. Era apenas uma forma de me comunicar com amigos e familiares, geralmente por meio de cartas. Sim, minha geração escrevia e trocava cartas em papel de carta (um mais lindo que o outro). O objetivo era uma conversa, um pensamento compartilhado ou algo como uma declaração. Então a fala sempre foi simples, a escrita informal e a pontuação como se fosse um reflexo da minha entonação.
Muitos amigos e colegas quando comentam sobre meus textos, dizem que conseguiram me imaginar falando enquanto liam. Talvez seja porque eu goste tanto de falar que quando não consigo, começo a botar no papel o que ainda pode ser dito. O fato é que depois de tanto tempo, acho que posso dizer que tenho um estilo próprio de escrever e que confesso não ver muito por aí. Entendo que não há certo ou errado quando fazemos algo com dedicação, paixão e de forma leve. Respeitar o português é o mínimo, digamos.
Ah! Eu, como boa gaúcha, prefiro o tu do que você. Gosto muito quando consigo, de alguma forma, me aproximar de quem lê. Sem palavras difíceis, sem raciocínios complexos ou textos longos que não prendem quase ninguém. O segredo é baixar a cabeça, com papel e caneta – ou um teclado – em mãos, deixar pulsar o coração na pontinha dos dedos e fazer da escrita uma forma verdadeira de comunicação.


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