Há tempos nos deparamos com pessoas que a qualquer descontentamento com alguma marca tem como primeira atitude o compartilhamento nas suas redes sociais. É a tal da política de cancelamento que virou moda. Ouso dizer que quando há o que elogiar, o que destacar de positivo e indicar tal produto/serviço, o percentual de posts mais do que cai pela metade. “Não me pagam para falar bem”, já ouvi alguns dizerem.
O fato é que o alcance de um post irresponsável, feito no calor da hora e com argumentos pessoais apenas, pode refletir em uma crise de imagem para a marca apontada. Profissionais da área de comunicação e influenciadores (que deveriam ter ética e comprometimento ao emitir opinião) são, na maioria das vezes, pessoas que agregam na tomada de decisão de sua rede de amigos.
O marketing sempre teve como seu maior meio de publicidade a indicação, o famoso boca-a-boca. É e sempre será muito melhor acessar/experimentar/investir em algo que já tenha feedbacks anteriores. Só que a facilidade de emitir opinião a tempo e a hora faz com que muita coisa seja compartilhada de maneira irresponsável. Vocês já viram alguém se redimir por ter se enganado ao reclamar de alguma coisa e depois, quando a marca teve o cuidado de responder e ponderar as questões, voltar atrás? Difícil, né? Daí ficam os profissionais de comunicação enlouquecidos querendo provar que era apenas uma opinião de alguém que não prestou atenção em detalhes, que não procurou informação correta e resolveu se indignar nas redes sociais. Tem aos montes.
O recomendado seria buscar o espaço para o diálogo e para o entendimento do posicionamento negativo. Há meios para compartilhar críticas construtivas quando o objetivo é ajudar. Quando isso não ocorre o motivo é certamente outro: conquistar likes e engajamentos nas redes sociais. Não é questão de minimizar erros, defender a impunidade ou “passar pano”, mas sim levantar um questionamento: será que a cultura do cancelamento não mais atrapalha do que ajuda? Tem crescido essa onda que incentiva pessoas a deixarem de apoiar determinadas personalidades ou empresas – públicas ou não – em razão de uma conduta reprovável subjetiva na opinião deste influenciador. Também se percebe que muitos dos cancelamentos vem de pessoas que impulsionam suas redes com posts pagos ou que vendem cursos online de como atuar em redes sociais. Nem tudo é sempre como parece para quem não tem o comprometimento com o que comunica. Emitir opinião é um lance sério que hoje virou coisa banal pela facilidade de acesso.


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