Cinco perguntas para Anelise Zanoni

Docente da Unisinos compartilhou suas experiências e visões sobre Jornalismo

  1. Quem é você, de onde vem e o que faz?

Sou Anelise Zanoni, professora de Jornalismo, viajante, mãe de um menino sorridente, apaixonada por comer bem e não dispensa um encontro com os amigos (embora falte tempo na agenda). Nasci e estudei a maior parte da minha vida em Porto Alegre, mas sempre morei em Canoas, cidade que se transformou em um ótimo paradouro, porque permite meus constantes deslocamentos entre a Capital e o Vale do Sinos.

Atualmente, sou professora e Jornalismo da Unisinos em São Leopoldo e Porto Alegre. Na universidade, também coordeno a área de Jornalismo da Agência Experimental de Comunicação (Agexcom) e atuo como editora do site Mescla, dedicado à Escola da Indústria Criativa. Mesmo com a rotina corrida, faço alguns trabalhos como repórter e editora freelancer - nos últimos anos, para a revista Veja Comer & Beber, da Editora Abril.

Ainda, comando um projeto pessoal chamado Travelterapia. Ele é uma plataforma que tem a missão de compartilhar histórias e experiências de viagem e teve início em maio deste ano.

  1. Por que escolheu ser jornalista?

Sempre gostei muito de lidar com pessoas, de conversar e criar coisas e até mesmo vendê-las. Sempre soube que minha vocação era trabalhar com criatividade, projetos e relacionamento de pessoas, mas não sabia exatamente o que fazer na hora de escolher a faculdade. Um dia, olhando para o espelho, pensei que poderia fazer Jornalismo. Aí, decidi me inscrever no vestibular.

Mesmo em dúvida, acabei passando no vestibular e fazendo a faculdade. No início, achava tudo estranho e queria voltar para a atmosfera afetiva do Colégio Rosário, onde estudei e fiz grandes amigos. Só que com o tempo fui me apegando às disciplinas do curso, fazendo amizade com os professores e trabalhando. Minha escolha passou a ser algo prazeroso e comecei a investir na carreira e na busca constante pela atualização e pelo conhecimento. 

  1. Como se deu a trajetória no ambiente acadêmico?

Estudo desde os seis anos de idade e nunca parei. Sempre tive muita curiosidade e vontade de saber mais sobre as coisas que me cercavam. Então, quando encerrei a faculdade, decidi que ficaria um tempo me dedicando ao mercado de trabalho. Trabalhei 12 anos no Grupo RBS, mas durante todo esse tempo estudei alguma coisa. Fazia curso de idiomas, de extensão, buscava bolsas de estudos no exterior e, em um determinado momento, decidi fazer um mestrado.

Fiz a pós-graduação durante dois anos e trabalhei ao mesmo tempo. Achava necessário ter as duas experiências. Em paralelo, participava de alguns congressos e encontros para me situar nos debates relacionados à área da Comunicação. Depois desse período, no final de 2006, optei por tirar uma licença do trabalho para fazer um intercâmbio em Dublin, na Irlanda. Passei sete meses conhecendo novas culturas, países diferentes e atuando dentro da redação do jornal Sunday Independent.

Naturalmente, quando voltei, estava precisando estudar novamente. Foi então que retomei a rotina como repórter, editora e estudante. Também nesse período, ingressei no doutorado de Comunicação e Informação da Ufrgs. Durante os quatro anos que estive lá, fiz estágio docente e amadureci a ideia de dar aulas.

Em 2010, surgiu uma oportunidade e fiz um processo seletivo na Unisinos. Fui aprovada e passei a guiar minha carreira para outros caminhos. Ainda, tive uma passagem pela ESPM-Sul, onde também dei aula e aprendi muito.

  1. Na sua opinião, o que todo profissional de Jornalismo precisa saber?

Acredito que o profissional de Jornalismo precisa estar em constante processo de aprendizagem. Precisamos ser éticos e nos colocarmos no lugar do outro.

Tenho contato com muitos adolescentes e jovens que estão construindo suas carreiras e tenho a preocupação de conversar com eles, de conhecer suas histórias e de mostrar que não basta ter rede social e saber escrever para se fazer Jornalismo. É preciso ter interesse pelas pessoas, olhar no olho, ter um olhar curioso, saber diferenciar notícia de boato e não ter vergonha de perguntar.

Nos dias de hoje é um grande desafio dar aula nesta área, mas é compensador quando vemos os estudantes se destacando no mercado de trabalho e, muitas vezes, construindo o próprio empreendimento no segmento.

  1. Quais são os seus planos para daqui a cinco anos?

Aposto e acredito muito no meu projeto Travelterapia. Contar histórias e experiências e compartilhá-las com o público é nossa grande missão. Por isso, gostaria de investir mais tempo nessa ideia e de envolver mais pessoas nessa iniciativa. Isso envolve viajar com frequência, conhecer outras culturas e também trabalhar mais e desenvolver ideias paralelas à plataforma.

Além disso, quero continuar com meu contato constante com os estudantes, porque aprendo muito com eles e trocamos muito conhecimento. Em resumo, quero continuar compartilhando aprendizagens e ideia com as pessoas, porque acredito que de nada adianta termos informação se não a dividimos.

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