Nesta terça-feira, 28, o programa ‘Sem Estúdio’, uma produção do Editorial J (Laboratório Convergente do Curso de Jornalismo da Escola de Comunicação, Artes e Design – Famecos), com o apoio de Coletiva.net, entrevista a jornalista Marcela Donini. O quadro semanal, realizado por alunos de Jornalismo com profissionais da área sobre os impactos da pandemia da Covid-19, recebe, às 21h, a editora-chefe do Matinal Jornalismo.
A equipe do portal entrou em contato com Marcela para adiantar detalhes sobre o bate-papo que ocorrerá logo mais.
Confira a entrevista na íntegra
1- Por meio do contato com alunos, qual é a importância de aproximar os cursos de graduação de Jornalismo do mercado?
Essa aproximação é necessária. Precisamos dialogar mais, principalmente, um lado ouvir o outro.
2 – Como é para você ter a possibilidade de interagir e trocar experiência com os estudantes?
É sempre um encontro muito rico, principalmente em relação ao profissional e o estudante. Eu, particularmente, gosto muito de conversar com o estudante. Dei aula até 2018 na ESPM-Sul. Me lembro que quando era estudante achava muito fascinante encontrar e poder conversar com profissionais. Hoje, como profissional, acho muito rico. Na correria da rotina de uma redação não para para refletir sobre o seu trabalho. Quando a gente para para conversarmos com estudantes temos essa oportunidade que acaba sendo muito rico para o estudante que nos ouve também.
3- A cobertura jornalística durante a pandemia do novo coronavírus é uma das temáticas principais do programa de entrevistas ‘Sem Estúdio’. Como a pandemia tem impactado na sua rotina profissional?
Acho que o maior impacto na rotina é que, pela primeira vez, a minha geração de jornalistas está cobrindo uma crise na qual está completamente imersa. Já cobri tragédias, a maior delas foi a Boate Kiss, em Santa Maria, e aquilo me afetou muito emocionalmente, mas como uma espectadora que estava muito próxima que foi para Santa Maria e era muito pesada a situação.
Mas agora é diferente porque estamos falando em uma crise sanitária, política e econômica que tem impacto em muitas esferas e que estão nos atingindo enquanto cidadãos. A maioria dos jornalistas está trabalhando das nossas casas em isolamento. Então, tem toda uma questão de sanidade mental que eu acho que é muito importante e está muito envolvida. Tem a ver com esse isolamento, que pode haver reflexos na sanidade mental dos jornalistas, como em qualquer outra pessoa que está em isolamento, mas também tem o peso do noticiário. Estamos nesta cobertura no Rio Grande do Sul há quatro meses. É uma cobertura longa, sofrida, com alguns momentos de desespero de saber quando isso vai terminar. Principalmente agora, em um momento crítico no Rio Grande do Sul, é pesado acompanhar e fazer essa cobertura. Uma dimensão de uma tragédia que a gente não conhecia até então, não tinha trabalhado e não estava imerso.
Além disso, tem um impacto nas rotinas e prática, que é muito menos ‘pé na rua’, contato com as fontes pessoalmente e isso muda um pouco o trabalho. Por outro lado, nos dá oportunidade de explorar outros caminhos de investigação. Tivemos essa semana um furo para uma matéria super relevante, que tivemos acesso aos documentos sem precisarmos ir em algum lugar, e com entrevistas feitas por telefone. É uma matéria que está completa e feita respeitando esse isolamento que falamos.
Marcela Donini
Também é co-fundadora do Farol Jornalismo, uma iniciativa de pesquisa e produção de novas formas de fazer jornalismo, que produz uma newsletter semanal e gratuita de curadoria e análise de temas relacionados especialmente à tecnologia e ao jornalismo. Além dos portais de jornalismo independente, a jornalista já teve experiência em redações, escrevendo para a revista Donna e outras editorias do jornal Zero Hora.
O programa será transmitido na página do Editorial J no Facebook, bem como de Coletiva.net. Vale ressaltar que o público pode mandar perguntas nos comentários para serem lidos no ar.

