Mente de aprendiz

Por Liana Bazanela, para Coletiva.net

As evoluções tecnológicas podem tornar qualquer negócio irrelevante da noite para o dia. Não dá para trabalhar em um mercado e achar que pode continuar lucrando com ele por toda vida. Os ciclos são cada vez mais curtos e nosso conhecimento pode ficar obsoleto antes do próximo Natal. Sabemos que até 1900 o conhecimento dobrava a cada século. Até a Segunda Guerra Mundial, dobrava a cada 25 anos. Hoje, dobra a cada 13 meses. E com a internet das coisas, a previsão é dobrar a cada 12 horas.

E quando penso nisso, sempre me pergunto: "Será que estamos preparados para tantas mudanças e transformações? Como está a nossa aptidão mental, emocional e social para administrar tudo isso? Temos resiliência e tolerância à frustração? Nossa cultura estimula o desenvolvimento de competências relacionadas ao comportamento e profissionalismo?".

Foram estas inquietudes que me fizeram desembarcar no Vale do Silício em 2018, para tentar entender quais técnicas de educação são praticadas por lá. Posso destacar que ter capacidade de adaptação e habilidade social são tão importantes como ter técnica. O que mais se fala na terra da tecnologia é nas famosas "soft skills" - que estão diretamente relacionadas à capacidade de gestão, relacionamento interpessoal, comportamento e personalidade.

No berço da inovação espera-se que, já no ensino fundamental, sejam desenvolvidos estímulos para o desenvolvimento de habilidades extracurriculares, como contar histórias, aprender a se apaixonar pelo que faz, ter curiosidade, desenvolver a persistência, exercitar empatia e admirar a ética. Liderança, empreendedorismo, interdisciplinaridade, habilidades digitais, criatividade, senso crítico e consciência global não poderão faltar no portfólio de todo profissional que está pensando em se preparar para o futuro.

É imprescindível continuar estudando, crescendo e, provavelmente, se reinventando muitas vezes durante nossas vidas. Para isso, ter autoconhecimento para reconhecer quais são nossos pontos fortes e o que pode ser melhorado é fundamental. Só a partir disso conseguimos planejar o nosso autodesenvolvimento para desaprender e reaprender tudo de novo.

Aprendiz para a vida toda. Este é o mindset do Vale do Silício e o mantra dos empreendedores que fazem acontecer. Esta é a mentalidade de quem sabe que já não basta ter expertise em determinada área. Para ser relevante em qualquer profissão é preciso ir além do conhecimento técnico. A melhor precaução para encarar desafios é arregaçar as mangas para aprender a aprender.

Liana Bazanela é diretora da DeBrito Sul e presidente da Associação Riograndense de Propaganda (ARP).

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