Apesar dos poderes

Por Balala Campos, para Coletiva.net

Nunca ciência e cultura foram tão essenciais à nossa sobrevivência como neste estranho 2020. A primeira para que possamos continuar vivos, e a segunda para que a população não sucumba à inanição da alma, à sede de beleza e de conhecimento nestes tempos de pandemia.

Para o atual governo brasileiro, estes segmentos não são prioritários e não merecem atenção especial. Mas a realidade tem se imposto à revelia dos poderes. Mesmo quase sem incentivo, a ciência, a cultura, e também a arte têm revelado a sua essencialidade e a sua fundamental importância para a vida dos brasileiros nestes tempos de pandemia, medo, isolamento social e agravamento das privações inerentes às populações mais carentes.

Indiferentes ao que pensa o poder público, os cientistas e pesquisadores de nosso País, alguns reconhecidos mundialmente pela sua excelência, sobrevivem e trabalham incessantemente buscando soluções para o vírus que assola o mundo. Afinal, os competentes e dedicados profissionais da saúde, aliados a cientistas de outros países, são os únicos que podem trazer a vacina redentora ou medicamentos que possam auxiliar na volta das populações à normalidade.  

Os artistas, à semelhança de Fenix, ressurgem das cinzas, reinventam-se, mostrando o seu trabalho do jeito que é possível, mas resistentes, sempre. São eles que alimentam a imensa população brasileira carente da música e da arte que nos alegram e confortam. São eles que nos permitem voar um pouco para além da triste realidade que nos entra pelos poros, cotidianamente, e nos salvam do desânimo e da falta de esperança.

Sem cenário, sem luzes, sem trajes de gala, a classe artística resiste e nos presenteia através do mundo digital com a alegria, emoção, entretenimento e alimentos para além do físico. Nestes novos tempos, o conteúdo passou a ser muito mais importante do que a forma. Existe um Brasil que sobrevive ao poder público e suas ideologias. Temos 210 milhões de pessoas que vivem neste solo e que, mesmo com os graves problemas atuais, tal como uma grande teia invisível, se reinventam, tentam superar os obstáculos e, milagrosamente, seguem em frente.

Balala Campos é jornalista.

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