Assessor-repórter: uma alternativa para fazer a ponte entre empresa e sociedade

Por Andreia Fantinel, para Coletiva.net

Não raro nos deparamos com a redução da assessoria de imprensa a um fazer não jornalístico - discurso que eu mesma caí, na imaturidade de início de carreira. E alguns jornalistas tarimbados ainda reproduzem essa tese - o que não deixa de ser incômodo, já que a experiência mostra cada vez mais o quanto o conhecimento das técnicas jornalísticas é o primeiro passo para construir uma matéria com qualidade e conteúdo suficientes não só para ser publicada em veículo tradicional de comunicação, mas para fazer a diferença na vida de alguém. 

Em mais de 20 anos atuando no jornalismo, entre estágios e profissionalmente, metade dos quais em cada lado do balcão, identifiquei na minha prática diária que o melhor do meu trabalho se dá quando eu consigo, antes de assessorar a instituição, reportar o que ela faz. A partir dessa premissa, consigo entender a pauta e o que ela tem de impacto importante na vida dos outros - sejam esses "outros" os profissionais da Empresa ou o cliente que está sendo assessorado, na comunicação interna, ou o público externo, para promover a marca na mídia pela comunicação institucional.

Foi encarando desta forma a vida de assessoria que consegui me apaixonar pela atividade. Eu, que entrei na faculdade para ser repórter, sem qualquer possibilidade aventada que não essa, tornei-me assessora, especialista em crise de imagem, mas que não se liberta da veia reporteira. Entendo que a gente não possa ter a pretensão de achar que uma forma de trabalho é mais correta que outra, afinal, o que funciona para uma situação, não dá certo para outra. Mas posso testemunhar que a relação com os jornalistas de veículo se torna muito melhor quando o profissional que está na assessoria busca se colocar no lugar das necessidades do repórter e oferecer a ele o que é necessário, no prazo exigido e respeitando o viés a ser adotado.

As relações profissionais não pressupõem - e nem poderiam - amizade. Mas empatia, palavra tão na moda, quase banalizada, vale para tudo na vida. E, no meu caso, tentar sempre pensar como repórter e produzir conteúdo como se estivesse fazendo uma matéria para veículo trouxe resultados bem mais interessantes, inclusive para a empresa. Aliás, o resultado do jornalismo empresarial está ligado diretamente à importância que se consegue extrair do trabalho da instituição para a sociedade.

E o que mais é o jornalismo se não divulgar para sua comunidade aquilo que, de alguma forma, interfere na sua vida? Ao fim do dia, quando nós, jornalistas (de assessoria ou não), analisamos as horas de trabalho e vemos que conseguimos, de fato, prestar um serviço, podemos deitar a cabeça no travesseiro com o gostinho de termos contribuído para melhorar um pouco se não o mundo, pelo menos a célula da sociedade para a qual nos dedicamos naquela jornada.

Andreia Fantinel é jornalista. 

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