Câncer no ambiente profissional: minha experiência como publicitário

Por Lucas Laux, para Coletiva.net

Crédito: Reprodução/Facebook

Diretor de Arte há mais de sete anos, tendo passado por diversas agências e clientes de relevância regional, nacional e internacional, fui escolhido por um raro câncer, que aflige um em um milhão de habitantes. A causa? Inexistente, a doença simplesmente chega, e é isso. Você que lide com essa perspectiva feroz que chega para modificar seu cotidiano, psicológico e estilo de vida. Às vezes me pergunto: por que eu? Por vezes me respondo: mas por que não eu? Eu não sou especial.

E como trabalhar sabendo que existe dentro de você uma bomba relógio, que pode estourar a qualquer minuto? Pois bem, no auge da minha sinceridade, eu digo: jamais esqueço a doença, ela está aqui comigo, no entanto, isso não é sobre esquecer ou lembrar, é sobre a atitude que você tem perante ela. Lembro-me de um diretor que, em sua filosofia estóica me dizia: "Você pode lidar com isso? Então, faça-i. Você não pode? Então, o que lhe resta? Pare de querer controlar tudo. Você não é o Super-Homem". Por mais pesada que possa parecer a filosofia estóica do meu ex-gestor, eu a sigo fielmente.

Existe, sim, dentro de mim uma aflição, mas todos nós somos aflitos por algum motivo e isso é inerente ao ser humano. Eu prefiro transformar minha aflição em foco. Trabalho muito, quero ser sempre o melhor de mim mesmo, quero que ninguém tenha pena de mim, mas, sim, respeito por tudo aquilo que eu construí com muito amor, pois eu escolhi seguir em frente e gosto que meus colegas comprem a ideia de que a dificuldade é algo que nos motiva a ser o melhor de nós mesmos.

Como diretor de Arte em Performance na Escala, encontrei na agência uma família, muito acolhido pelo diretor de Criação, o Roberto Lopes, assim como todos que estão à minha volta. Faço da minha enfermidade uma motivação, quero ser sempre o melhor de mim mesmo e, sim, faço planos de fazer a diferença pela empresa que me contratou. Eles fazem de tudo para que eu me sinta amparado da melhor forma possível. Como um cara que gosta de pensar alto, quero trazer para a agência uma transformação dentro da minha expertise e, no auge da minha sinceridade, digo que gostaria de levantar uma premiação ainda como paciente oncológico, pois isso demonstraria ao mercado que não somos fracos, não somos anti-produtivos, somos um vetor de força nos trabalhos para os quais somos designados.

Tenho fé na minha cura, faço o possível para vencer as adversidades da doença e vejo tudo isso como passageiro. Penso que, após um intenso inverno duro e frio, ninguém jamais poderá deter a primavera, e todo o aprendizado que tirei dessa intensa jornada me servirá para ser um profissional ainda melhor.

Lucas Laux é diretor de Arte da Escala.

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