Humildade, por favor!

Por Gilberto Jasper, para Coletiva.net

Crédito: Reprodução

Trabalhei como repórter de rádio e de jornal por muitos anos. Foram experiências que recolhi em veículos do interior e de Porto Alegre. Outra parcela da minha vida profissional foi ocupada no exercício da atividade como assessor de Comunicação, função que ocupo atualmente. Esta diversidade permitiu aprender muito sobre relacionamento humano. Permitiu, também, conhecer muitas pessoas que ocuparam cargos de relevo. Alguns viraram amigos com quem mantenho uma relação fraterna até hoje.

O principal aprendizado nestas mais de quatro décadas de Jornalismo é a importância da humildade, atributo indispensável para o desempenho de qualquer profissão. Muitos colegas da mídia incorrem em um erro que foi turbinado pela onipresença das redes sociais. Muitos, na atividade de assessor de imprensa, confundem-se com o assessorado, buscando brilho pessoal. Outros, na função exercida em veículos, buscam destaque maior que o dispensado aos personagens e às próprias notícias.

O fenômeno da pandemia impôs ao público leitor, telespectador, ouvinte ou internauta comportamentos arrogantes em que jornalistas se arrogaram a pecha de especialistas.

A informação foi engolida pela opinião, o que se chama manipulação. Oferecer ao público sempre ponto e contraponto compõem o verdadeiro conceito de Jornalismo. Esta postura exibicionista, porém, não se verificou somente na cobertura da Covid. A soberba se repete agora no noticiário diário da invasão da Rússia à Ucrânia.

Humildade é uma ferramenta indispensável ao cotidiano de todos, não importa a profissão. Neste mundo de ostentação, trata-se de uma qualidade praticamente "fora de moda". Afinal, para a maioria das pessoas, é impossível resistir à tentação de postar imagens do carro ou da casa recém adquiridos ou exibir os lugares "descolados" que frequenta ou, ainda, exibir os amigos que são todos bonitos e felizes.

A larga experiência de repórter e assessor ensinou que grandes homens e mulheres geralmente são seres humanos modestos, humildes e acessíveis. Mas pessoas que cercam estes personagens, no entanto, muitas vezes forjam uma imagem muito diferente, impondo barreiras ou "vendendo" uma postura que não corresponde à realidade.

A predominância da tecnologia em detrimento, por exemplo, da leitura de bons livros, consolida-se junto à nova geração, que vai comandar o País e o mundo ali adiante.

Gilberto Jasper é jornalista.

 

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