Injusto, mas fácil de entender

Por Gilberto Jasper, para Coletiva.net

No Brasil e no RS toda reação depende dos personagens envolvidos. Transferindo para a atividade jornalística, o radicalismo é ainda mais exacerbado. Um exemplo emblemático são as demissões, episódios tão corriqueiros em nossas vidas quanto às notícias que produzimos nas redações.

No início da pandemia proliferaram campanhas - principalmente dos veículos da chamada "grande mídia" - que basicamente soava como um conselho/advertência:

- Atenção, empresário! Estamos numa pandemia, mas vai passar. Por isso... não demita!

A hipocrisia durou menos de três meses até espocarem desligamentos em veículos de todos os portes. Rede Globo, Folha de S. Paulo, Estadão. Todos enxugaram porque a crise "não passou" ainda, mas pouco se leu ou ouviu sobre o "passaralho gigante" que sobrevoou sobre redações em todo o país.

Apesar dos enormes prejuízos à sobrevivência de centenas de colegas não houve mobilizações de quem tem a obrigação de defender a categoria. Se o fez, foi tão tímida que não foi vista.

Há poucos dias tivemos um desligamento que sacudiu parcela alinhada de muitos colegas. Ao contrário das inúmeras demissões anteriores, esta foi classificada de ideológica, política e injusta.

Os humildes jornalistas que tinham apenas uma fonte de renda não despertaram a sensibilidade de quem defendeu este profissional recém desligado. Tendo somente um emprego, os demitidos enfrentam o desafio da sobrevivência em plena pandemia, órfãos da solidariedade de pretensos "defensores" de jornalistas.

Lamentável, mas "normal". Afinal, neste país e neste Estado, tudo depende com que espectro ideológico se alinha a pretensa "vítima".

Gilberto Jasper é jornalista.

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