Não é uma homenagem

Por Patrícia Parenza, para Coletiva.net e ARP

Crédito: Reprodução

Este artigo integra uma parceria de Coletiva.net com a Associação Riograndense de Propaganda (ARP) em uma semana toda dedicada a artigos assinados por mulheres que integram a diretoria da entidade.

Nunca gostei do Dia da Mulher. Sempre achei um porre receber aquela rosa enrolada no papel celofane na saída do supermercado. Colocava imediatamente no lixo. Me sentia insultada sendo homenageada como se fosse um ser inferior, que precisasse de atenção em um único dia. Hoje, aos 50 anos, tenho clareza do que significa essa data e porque devemos usá-la para expandir a nossa voz. Sem rosas e poemas queridos de chefes que pagam menos para a mulher ou zap de vizinho que agride esposa.

O que queremos é respeito e igualdade. O fim de qualquer tipo de abuso: físico, verbal, psicológico e profissional. Atualmente, comemoro o Dia Internacional da Mulher porque é preciso lembrar sempre do muito de ruim que nos atinge todos os dias, que ainda hoje uma mulher é morta a cada sete horas no Brasil apenas por ser mulher e que somos o quinto país no ranking de feminícidios no mundo.

E o mercado de trabalho? Como eu, que sempre fui minha própria chefe, a brasileira tem personalidade empreendedora. Se existe uma mulher guerreira, persistente e em busca de autonomia profissional, é a brasileira. Somos 24 milhões de empresárias e a nossa média de escolaridade é maior do que a dos homens, mas até o momento apenas 19% das lideranças são ocupadas por mulheres.

Somos menos contratadas para cargos de liderança por diversos fatores: machismo, gravidez, casamento, idade. Isso continua acontecendo mesmo com pesquisas como essa do McKinsey Study: companhias com mulheres têm um resultado operacional 48% maior e uma força de crescimento no faturamento 70% maior. Isso não quer dizer que mulher seja melhor do que homem, apenas sinaliza que experiências enriquecedoras nascem da diversidade de gênero nas organizações.

Nós simbolizamos a nova ideia de que o privado se aproximou muito do coletivo na forma de agir e pensar. Precisamos escutar mais as mulheres, apoiar as mulheres, elevar as mulheres. Foram lideranças femininas que se destacaram na administração da crise da Covid-19, só pra comprovar como conseguimos responder melhor em qualquer situação.

Patrícia Parenza é conselheira de Serviços Especiais da Associação Riograndense de Propaganda (ARP), e jornalista, empreendedora e comunicadora digital.

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