Não é uma homenagem

Por Lara Piccoli, para Coletiva.net e ARP

Crédito: Coletiva.net

Este artigo integra uma parceria de Coletiva.net com a Associação Riograndense de Propaganda (ARP) em uma semana toda dedicada a artigos assinados por mulheres que integram a diretoria da entidade.

Há exatos 100 anos, a data do dia 8 de março era oficializada como Dia Internacional da Mulher. Mas, conta a história, que em 1917 existiu um movimento precursor fundamental para que o dia 8 fosse consagrado: o protesto chamado "Pão e Paz", onde 90 mil operárias manifestaram-se contra o Czar Nicolau II, as más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra. Pediam comida para seus filhos e o fim da guerra para seus maridos. A partir daí, diversas manifestações surgiram até que o dia 8 fosse internacionalmente oficializado. 

Elas defendiam seus filhos. Elas lutaram para melhorar as condições de trabalho. Como hoje. Por isso, o dia 8 não é um dia de homenagem, apenas. Mas de reflexão. Se o vivemos como comemoração, esquecemos que a luta precisa continuar. Portanto, o dia 8, é um dia de protesto. Para não esquecermos que apenas 6% dos cargos executivos no Brasil são ocupados por mulheres. Que elas recebem menos de 70% da massa salarial dos homens em mesmo cargo e função. Que a cada 2 minutos uma mulher sofre de violência doméstica no Brasil. Que somos chamadas de sexo frágil, quando 70% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres. Muitas delas, abandonadas com seus os filhos por seus maridos. 

Também não podemos esquecer a dupla rotina (tripla, agora na pandemia), o preconceito, o assédio, a ditadura da beleza e tudo o mais que assombra o dito "sexo frágil". Nenhuma de nós deveria descansar dessa luta. E não importa como você se propõe a lutar. Se na rua, em manifesto explícito, se nas redes, no grupo que você convive, ou educando da melhor forma possível o seu filho homem.

Luta não significa força, significa voz. E é isso que nunca podemos deixar de ter. Lembre disso nesse dia 8. E use a rosa que darão a você para sentir o amor e admiração, mas também para refletir sobre os espinhos que ainda temos que enfrentar no dia-a-dia. Siga sendo uma voz para lutar, mas por um pouco mais do que apenas pão e paz.

Lara Piccoli é conselheira de Dirigentes da Associação Riograndense de Propaganda (ARP), e co-founder na HOC - House Of Creativity.

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