Não é uma homenagem

Por Greta Paz, para Coletiva.net e ARP

Crédito: Reprodução

Este artigo integra uma parceria de Coletiva.net com a Associação Riograndense de Propaganda (ARP) em uma semana toda dedicada a artigos assinados por mulheres que integram a diretoria da entidade. 

Março é um chamado para reflexão sobre o espaço da mulher na sociedade. Os anos passam e a agenda do mês segue variações sempre sobre um mesmo tema: mostrar que lugar de mulher é onde ela quiser. Parece repetitivo, mas essa pauta só deve mudar quando realmente enxergarmos que o sucesso pode ter a nossa cara. 

É difícil sonhar com o dia em que teremos oportunidades realmente iguais, quando somos tratadas de forma diferente de pessoas do gênero oposto desde nossa infância, nas brincadeiras e na forma como nos elogiam. O nosso sucesso, muitas vezes, é tido como ser linda e educada enquanto o dos nossos irmãos é ser corajoso e inteligente.

Mas o olhar não deve estar somente para a criação. Passamos toda a nossa vida escolar estudando feitos de homens na política, história e ciência. Como vamos nos convencer que todos os espaços são nossos se, ao assistirmos a um noticiário, seguimos vendo que é preciso vestir terno e gravata para ter a caneta que decide na mão? Será que é possível sonhar em ser uma atleta quando o mundo contempla somente os esportes masculinos?

O esforço tem sido grande por todos os lados. Hoje, vemos o espaço que a mídia dá para a vice-presidente americana Kamala Harris, para a primeira-ministra da Nova Zelândia Jacinda Ardern, para a filósofa Djamila Ribeiro ou para a empresária Luiza Trajano - mas elas são minoria em todos os espaços que ocupam. No Brasil, uma pesquisa feita no final de 2019 pela Talenses com o Insper mostrou que apenas 13% dos cargos de CEOs são ocupados por mulheres, mesmo elas sendo 50% da população.

Para que esse cenário melhore, precisamos continuar vendo esforços de todos os agentes da sociedade. A publicidade deve parar de nos retratar como mulher objeto. As empresas devem contratar mais mulheres para posições de liderança. Os cidadãos devem eleger mais mulheres na política. A imprensa deve se preocupar em trazer narrativas femininas.

Agora, é hora de dar 50% do microfone, da câmera, da caneta e do palco para as fortes, líderes, determinadas e inteligentes. O acesso às histórias nos garante o direito de sonhar e, somente assim, conseguir mudar o estereótipo de gênero.

Greta Paz é diretora Young da Associação Riograndense de Propaganda (ARP), e CEO da Eyxo.

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