O Design Digital como ferramenta de acessibilidade para o ensino remoto

Por Leonardo Muller, para Coletiva.net e ARP

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Este artigo foi selecionado por Coletiva.net a partir de uma parceria com a Associação Riograndense de Propaganda (ARP), clique aqui para conferir os detalhes.

A essas alturas de 2021, a maioria de nós já está acostumado com as salas virtuais, reuniões por vídeo chamada e até aulas a distância. Dentro deste cenário, serviços como o ensino tiveram que migrar para o ambiente digital. E, com isso, surgiram diversas barreiras de adaptação das pessoas às novas ferramentas.

Neste sentido, o Design Digital tem papel fundamental em ser a ponte que liga o produto digital com o uso das pessoas. 

O Design é uma forma de comunicação, e para resolver os problemas dos usuários a principal ferramenta é a empatia com contextos, pessoas e problemas. Uma vez que o uso das ferramentas é um impeditivo para as aulas, é dever dos profissionais de comunicação e design criar ambientes visualmente acessíveis para o ensino.

Os reflexos do ensino a distância

O ensino é algo universal, um parâmetro básico para todos, principalmente no Brasil. Quando olhamos com a ótica de quem leciona, as dificuldades da transmissão de conteúdo para os alunos esbarram nas dificuldades do uso de plataformas e ambientes digitais.

Adaptação ao formato, falta de capacitação e infraestrutura estão entre os principais fatores negativos apontados pelos educadores no ensino remoto, segundo Nova Escola (2020).

Sendo que a idade também é um principal fator de dificuldade na adaptação ao ambiente digital de ensino destas plataformas: 

Professores acima dos 55 anos representam 20,6% do ensino superior no Brasil, cerca de 82 mil educadores.

Com uma parcela considerável prejudicada pela falta de adaptação às plataformas digitais, o impacto na qualidade de ensino pode ser sanada com design de acessibilidade digital focado no usuário.

O impacto do design acessível

"O design é, na verdade, um ato de comunicação, o que significa ter um profundo conhecimento e compreensão da pessoa com quem o designer está se comunicando" (Norman, 2002).

Um bom design digital centrado no usuário leva em consideração as necessidades e limitações daqueles para quem o design deve ser desenvolvido. Isso porque a comunicação requer empatia para garantir uma conexão entre comunicador e receptor. 

Para que um design acessível atinja seu objetivo de minimizar as dificuldades em seu uso, é preciso conhecimento sobre os usuários, seu contexto e dores, os quais aproximam designers de pesquisadores ao buscar entender e conversar com seu público. Um bom design é medido pela facilidade de compreensão e uso.

"Quando você tem dificuldade com uma coisa qualquer, não é culpa sua. Não ponha a culpa em si mesmo, ponha a culpa no designer. A falha é da tecnologia ou, mais precisamente, do design." (Norman, 2002)

A acessibilidade em um design vem com o intuito fundamental de tornar o produto aderente às pessoas, independentemente de suas necessidades. Ou seja, a preocupação com as particularidades do usuário e suas condições conduz a estética e, consequentemente, melhoram a usabilidade construída.

Um exemplo tangível da necessidade e do impacto está na parcela de professores idosos, os quais possuem necessidades de acessibilidade ligadas a condições de saúde na sua idade. Uma vez que o design das plataformas de ensino não foi construído pensando em tais contextos, a dificuldade de adaptação às mídias se torna maior. 

Com maiores problemas em seu uso, a transmissão de conhecimento fica comprometida, portanto, sua qualidade. Ou seja, na criação de um produto, o olhar do design para a acessibilidade é fundamental para garantir a inclusão e qualidade da criação.

Leonardo Muller, UX Designer na Dragon Venture Capital

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