Os jornais e o difícil momento

Por Iraguassu Farias, para Coletiva.net

O site Poder360 faz importante análise dos grandes jornais nacionais e sua performance nos dois anos do governo Bolsonaro. De pronto você imagina que o texto será político. Mas não é. O recorte de período talvez queira induzir a conclusões - mais uma, de ataque a este governo.

A matéria é creditada a Hanna Yahya, e traz dados do IVC, comparando dezembro de 2018 com dezembro de 2020. Escolhe 10 jornais: Folha de S.Paulo (SP), Estado de S.Paulo (SP), O Globo (RJ), Correio Brasiliense (DF), Valor Econômico, Zero Hora (RS), A Tarde (BA), Estado de Minas (MG), Super Noticia (MG) e O Povo (CE).

Antes de se passar à realidade dos números, vale lembrar o ano da pandemia, a transição do impresso para o digital e outros fatores - alguns marcadamente de gestão, que seguramente explicam este ou aquele resultado. Ainda que não se queira imergir na questão política, também é mais do que conhecida a briga diária do atual presidente com a imprensa, notadamente com Folha, Estadão e O Globo. Não disponho de elementos para ampliar para outras localidades esta briga. Também não se quer inferir que seja esta a única ou maior causa das quedas que se verificou em alguns veículos.

Pelos últimos editoriais, Folha e Estadão cerraram fileiras pelo impeachment de Bolsonaro. Ambos foram viscerais na semana passada, indo de vez para campo aberto nesta briga, a qual o próprio presidente se encarrega de não deixar morrer. Não saberia dizer algo sobre o quanto a briga com a Rede Globo como um todo tem afetado as afiliadas, em especial a RBS. O fato é que Zero Hora teve queda no período de 36,9% no impresso e 19,5%, no digital. 

Cair no impresso é esperado de todo mercado jornalístico, e por isto a transição para o digital. Mas cair também no digital é algo - pelo menos para mim, inusitado. Tão retumbante quanto esta realidade é a do Correio Brasiliense, que também tombou feio, caindo no impresso e no digital.

Personagens centrais da contenda Bolsonaro versus imprensa, Folha e Globo caem iguais e em percentuais acentuados no impresso, mas recuperam no digital e conseguem, no total, apresentar variação positiva em torno de 10%. O Estadão, por sua vez, que parece ter entrado por último na querela contra Bolsonaro, caiu 25% no impresso, mas ganhou 15% no digital, fechando no total com pequena queda de perto de 3%, numa performance muito parecida com o Estado de Minas.

Por estes números, Zero Hora tem motivos para se preocupar: caiu no impresso e caiu também no digital, como já falamos. Desempenho igual teve o Correio Brasiliense e a Super Noticia de MG. Conheço pouco esta última, mas ZH e CB andam de mãos dados nesta  queda, que não é pequena.

A menos que os dados possam conter alguma inconsistência, o que duvido, é de se perguntar: o que estaria acontecendo com estes dois gigantes?  Porque Folha, Estadão e Globo, adversárias que são de Bolsonaro e seu boicote, conseguem compensar a queda do impresso com o aumento do digital, e outros não?

Bem, conclusões aqui são meros pitacos. Bom mesmo é apresentar os números e que cada um formule sua tese.

Iraguassu Farias é diretor Comercial de Coletiva.net.

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