Os veículos tradicionais e o ClubHouse: quais lições tirar da nova rede?

Por Guliver Leão, para Coletiva.net

Crédito: Reprodução

Recentemente, a internet entrou em polvorosa com o ClubHouse, uma nova rede social de conversas por áudio, em que os usuários participam de bate-papos com duração e assuntos de interesse pré-estabelecidos. Com o surgimento desta nova mídia, os veículos tradicionais já se perguntam quais os impactos que o segmento da comunicação, especialmente o rádio, poderá sofrer caso a nova rede venha para ficar.

Disponível apenas para IOS, uma das explicações para o boom da plataforma pode estar relacionada à exclusividade e a sensação de pertencimento a um grupo seleto. Creio que as empresas de comunicação tradicionais podem ser favorecidas por este exemplo, ao entender como se beneficiar e instigar os usuários para consumir e interagir com conteúdos de áudio e vídeo on demand e ofertas exclusivas.

O ClubHouse não usa o apelo visual e seu formato é extremamente parecido com um podcast, embora muito mais interativo. Isso pode significar, para as rádios de todo o mundo, mais um espaço para divulgar conteúdo e abrir as tradicionais "mesas-redondas" para a participação dos ouvintes. Mais do que isso, a plataforma pode se tornar um espaço para que as marcas criem estratégias de humanização e aproximação com o público de forma inteligente, promovendo debates e trocas construtivas.

Talvez, ainda seja cedo para fazer tais conjunturas e encaminhar conclusões, mas o ClubHouse veio para mostrar uma faceta cada vez mais presente na sociedade atual: a busca por interações reais e, especialmente, humanas. Nesse sentido, é dever das empresas de comunicação tornar o conteúdo mais próximo e acessível, sem nunca deixar de lado a ética, atentos à lição de que é preciso saber se adaptar para permanecer relevante na entrega de conteúdos jornalísticos e de entretenimento de qualidade, sempre.

Guliver Leão é presidente da Federação Nacional das Empresas de Rádio e Televisão (Fenaert).

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