Por Poti Silveira Campos
Muito mais complicado é descobrir de onde viemos, onde estamos e para onde vamos no sentido, digamos, filosófico. Sem sistema de posicionamento global ou programa de computador para traçar a rota, o pessoal se perde quando se trata de manifestar consciência do lugar que ocupa no espaço da vida. Sobram exemplos. O mais famoso deve ser o da imperatriz Maria Antonieta, que recomendou à miserável população francesa do Século 18 que saboreasse brioches na falta de pão. Foi parar na guilhotina.
Mais recente e mais próximo está o goleiro Bruno, suspeito de envolvimento no suposto assassinato de Eliza Samudio. Preso e alvo de execração pública – uma multidão do tamanho da torcida do Flamengo gostaria de linchá-lo –, Bruno se mostrou preocupado mesmo foi com a possibilidade de estar fora da Copa de 2014. Desprovido de noção, mas um otimista, sem dúvida. Depois de Bruno, e também detrás das grades, foi a vez da atriz americana Lindsay Lohan. A beldade, de 24 anos, entrou em cana por violar a condicional. Lindsay costuma dirigir sob efeito de álcool e drogas.
“A única ficha que me é familiar é dos filmes de Disney, nunca pensei em ser fichada dentro de uma prisão”, escreveu a jovem no Twitter. Lindsay se tornou famosa ao estrelar filmes do “mundo maravilhoso de Disney”, como diz o slogan da produtora. Também reconhecida como sem noção, a atriz parece estar dando sinais de perceber onde está, de onde veio, para onde vai. Ao contrário do goleiro, também, a garota ganhou a simpatia popular. É tanta simpatia que até dá lucro: na Internet, camisetas com dizeres a favor da liberdade de Lindsay são oferecidas por mais de US$ 20.
No ranking dos sem noção, no entanto, acho que o prêmio do mês vai para a Polícia Militar fluminense. Quatro dias depois de trocar tiros com criminosos nas proximidades de uma escola – no confronto, foi morto um aluno de 11 anos de idade –, agentes fardados teriam agido da forma exatamente oposta ao esperado no caso do atropelamento e morte do filho da atriz Cissa Guimarães.
Certamente não é a primeira vez que tal coisa ocorre – nem será a última, infelizmente –, mas, é chocante imaginar que policiais tenham impedido o socorro ao garoto de 18 anos e deixado livre o motorista envolvido no acidente para tentar obter propina. Da mesma forma, nos choca saber que o motorista, o pai, a mãe, a família tenha aceitado participar deste jogo de quem perdeu a noção de humanidade, de decência, de civilização. Provavelmente, só interromperam o caminho rumo ao sabe-se lá para onde ao tomar conhecimento de quem era a vítima, de certa forma ligada a uma das mais poderosas empresas de comunicação do planeta. Ao perceber que se tratava do filho de uma global, parece que encontraram, por bem ou por mal, o caminho de quem tem noção para que lado fica Meca.

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