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A fragilidade de sermos humanos

Por Cássio Peres, para Coletiva.net

O advento de uma pandemia deveria ser um vetor de mudanças em nós, humanos­­ – deveria, ao menos. Sempre ouvi dizer de uma forma peremptória que uma catástrofe global traria a igualdade entre os homens. Ledo engano. Enquanto a princesa Sofia da Suécia ajuda como assistente no hospital Sophiament, nós no Brasil lidamos com o perfil egóico de nosso líder.

Nós, o povo brasileiro, somos o pano descartável que vai de um lado para o outro com a sujeira que se acumula nas atitudes inconsequentes daqueles que deveriam conduzir a nação. Nós, jornalistas testemunhamos manadas de robôs a serviço da mediocridade e da violência. Colegas são agredidos, enfermeiros são agredidos, manifestantes contrários ao status quo vigente são agredidos, pais, mães, tios, amigos, idosos, vizinhos,enfim pessoas são agredidas.

Enquanto isso, a raça humana se contorce em todo o planeta com a dor das suas perdas. E nos deparamos com as nossas limitações e  incertezas e somos diariamente testados por um inimigo invisível e mortal, a vaidade. Quem pensou no Covid-19, esqueceu de considerar que ele é um vírus, e não uma atitude. E são as atitudes diante dos maiores desafios que decidem o tamanho de nossas agruras.  Por isso, não olharemos para trás, e sim à frente.

Sem proselitismos textuais, o certo é que, se ficarmos pensando em como deveria ser, não nos conectaremos com o futuro que será.  Sim, a boa nova é que existirá um futuro. A, má, é que ainda não sabemos como será. Na comunicação, seguiremos a ética do marceneiro que é a mesma que a do jornalista como define Claudio Abramo: “O que é ruim para o cidadão é ruim para o jornalista”.

E essa premissa, no entanto, perpassa a questão ética e navega por oceanos revoltos que têm afogado direitos de liberdade democrática. Manifestar, repudiar, argumentar, dialogar viraram atestados de insurgência e não de direitos democráticos permitidos pela Constituição. Então que é bom para o cidadão, hoje parece ser uma ofensa para quem o governa. Talvez venha um tsunami por aí. Quem sabe o vírus se torne, lá na frente, apenas um dos problemas que enfrentaremos. Afinal, o advento de uma pandemia deveria ser um vetor de mudanças em nós, humanos. Pobres de nós tão frágeis e imperfeitos.

Cássio Peres é jornalista e head da Super Rocket – Storetelling para audiovisuais.

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