O grande acontecimento de 2020 são as eleições municipais. O processo sofreu inúmeras mudanças a partir de uma legislação inédita em diversos aspectos. Para nós, da comunicação, este é sempre um momento de aprender, colocar em prática experiências adquiridas e consolidar impressões acumuladas ao longo do tempo.
Outra característica do ano eleitoral é o surgimento de oportunidade de trabalho para profissionais que estão fora do mercado. Quase sempre são vagas provisórias, por alguns meses, mas que, com o êxito do candidato, pode tornar-se um emprego definitivo, duradouro.
Tudo na vida tem os dois lados. Por isso, a proximidade das eleições também inaugura a temporada de exploração profissional. A onipresença da tecnologia acentuou essa atrofia. É comum ouvir-se propostas que exigem alguém capaz de elaborar cards, fazer fotos e vídeos e redigir roteiros. Ah… e fazer a edição de tudo com rapidez e qualidade. É o moderno “multimídia e unissalário”.
O enxugamento das redações, o fechamento de vagas e a proliferação de tarefas para um único profissional transformou propostas exploratórias uma verdadeira tentação. De um lado, a necessidade de pagar os boletos. De outra, inconformidade diante do abuso caracterizado pelo excesso de exigências sem a devida contrapartida financeira.
A distorção se torna ainda mais grave porque muitas vezes são colegas de profissão que participam destes absurdos. Diante de orçamentos cada vez mais desidratados, estes colegas não se constrangem diante da difícil situação financeiras de pessoas que, em alguns casos, foram colegas de trabalho.
Não sou ingênuo de achar que só se deve aceitar propostas justas em termos de salário. Este seria o mundo ideal, mas infelizmente vivemos no mundo real, onde a lei da oferta e procura é implacável, ignora situações-limite, atropelam os oponentes.
Apesar da indigesta conjuntura poderíamos ser um pouco mais solidários, fixando parâmetros que assegurem dignidade para remunerar as tarefas. Com quase 60 anos de idade e mais de 40 de jornalismo, todas as semanas sou consultado para indicar profissionais “competentes e que não peçam muito” para cumprir tarefas de comunicação. Mesmo esgotado, repito à exaustão:
– Olha, se queres um profissional realmente bom é preciso aumentar a oferta de salário. É preciso pagar um salário digno para obter um trabalho profissional.
A maioria se aborrece, tenta argumentar em contrário ou compara nossa rotina com a de outros profissionais. Isso é um equívoco gigantesco! Apesar dos pesares é preciso resistir e lutar por vencimentos justos e um mínimo de respeito. Afinal, é o mínimo que os candidatos exigem dos eleitores.
Gilberto Jasper é jornalista.

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