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Bloquear o Whats não é boa solução

Por Arthur Lencina, para Coletiva.net

Com a chegada de um novo ano vamos recomeçar, renovar promessas e elaborar novos planos. Apesar do otimismo, não podemos esquecer: 2020 será ano de eleições municipais, para renovar os mandatos ou para trocar os mandatários – prefeitos, vices e vereadores.  

Atualmente, é impossível imaginar uma eleição sem internet. A era digital veio para ficar e mudar a forma de comunicação dos eleitores. É preciso atenção!  Devemos usar essa ferramenta de forma inteligente, porque permite maior agilidade e poder, impedindo que os feitos – bons ou ruins – perpetrados por um político caiam no esquecimento.  

Apesar das mudanças, um coisa que não mudou no processo eleitoral e continuará imutável: a emoção. Afinal, a eleição envolve uma carga elevada de comoção, deixando a razão um pouco de lado. Por isso, uma ferramenta como o WhatsApp funciona com eficiência no pleito, porque mobiliza e ‘alimenta’ os sentimentos.

Aliás, falando desta ferramenta – a preferida de dez entre dez políticos! – li matéria publicada em 28 de novembro no Correio do Povo, que aborda que o próprio WhatsaApp sugeriu o bloqueio da plataforma durante o período eleitoral brasileiro. Cá entre nós: é surreal ouvir isso de uma empresa nascida no berço do liberalismo. Esta sugestão foi feita pelo advogado da empresa Tiago Sombra durante seminário promovido pelo TSE.

O conselho teria sido motivado pela incidência de fake news, mas convenhamos que notícia falsa sempre existiu. A história está repleta de fatos semelhantes. O que mudou, no entanto, é a forma de propagação. Neste debate se impõe a pergunta: do que adianta bloquear? Nada! Alguém, sempre, em qualquer circunstância, vai encontrar uma maneira de espalhar boas e más notícias.  

Quando estou envolvido no processo eleitoral, em decorrência da minha profissão, recomendo aos assessorados e ao meu time para que pensem em estratégias para não deixar o candidato ‘amarrado’ a uma forma ou plataforma para disseminar sua mensagem.  

Nas eleições de 2014, tive a convicção de que a publicidade paga na web seria liberada. Em 2020, com a tendência de bloqueio ou restrições do WhatsApp, apostaria no Telegram, a partir de um movimento crescente em relação à esta plataforma, bem mais funcional que o Whats.  

Por experiência própria, reafirmo: bloquear qualquer ferramenta não é o caminho. Esta postura pode resolver um problema pontual, mas põe em xeque a capacidade intelectual do eleitor. Outras formas de transmitir a mensagem surgirão. Devemos, por isso, fortalecer a liberdade de escolha para avançar  e forjar um país forte, livre e soberano. 

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