No mês da mulher, eu disse para a Márcia que faria um artigo para o Coletiva. Não fiz. Chegou o mês das mães, aí eu decidi avisar o editor, o João. E ele respondeu “tô pronto para ler”. É AGORA! Tá, ahãm, legal, mas e o que isso tem a ver com o Dia das Mães? Bem, como aqui não é teledramaturgia, é vida real, eu vou dar uma real: seria eu uma mulher que se sente apta a escrever algo “digno de nota (sempre achei essa fala “uó”, do tipo tão “uó” quanto escrever o “uó”, sacou?) quando é para falar da maternidade?
Dia desses comentei que eu recém estou aprendendo a cuidar de plantas, não que eu seja uma destruidora da natureza, embora já tenha conseguido a proeza de matar um cacto,mas em minha defesa, naquela ocasião, eu disse que me considero uma excelente mãe. Isso mesmo, eu acho que sou uma mãe bem foda! Um tempo atrás, depois que minha primeira filha nasceu e eu fui demitida, eu dizia “eu sou CEO da maternidade” e eu queria dizer isso mesmo: que eu tava no topo da parada quando o assunto era maternidade. Eu me orgulho muito da mãe que sou para a Beatriz e o Bento, depois de me divorciar, ainda mais, pois quando estão na nossa casa é tudo comigo.
Não estou dizendo que sou uma mãe perfeita, por favor! Eu sou uma mãe foda sendo quem sou: toda fu**, falida, quebrada, despedaçada (oi, quem disse que não era a teledramaturgia?), mas aqui também tem comédia, risada, jogos de cartas, tabuleiro, tem muuuuuito bate-papo (turo bom, geminana?) com crianças de seis e 11 anos. Aqui tem verdade! Porque essa é a mãe, mulher e jornalista que sou. Desculpem, filhos! Queria fazer vocês pensarem em unicórnio voadores, mas sempre vou dando a real do mundo real e virtual. Informação educa e transforma.
Opa, pera aí! Acho que embolei os papeis deste artigo. Ele é sobre março das mulheres, abril das jornalistas e maio das mães? Sim, vai lá! É sobre nós, mulheres que estamos cansadas de pedir desculpas, sermos boazinhas e constrangidas por dizer que somos boas naquilo que somos.
E com vocês, o plot twist
Com o privilégio de ter 20 anos de terapia e seguir sempre em busca de autoconhecimento, preparem-se para o que vem aí: eu acho que eu sou uma ótima jornalista. Curiosa, com muita sensibilidade, boa escrita e excelente desenvoltura, especialmente, no vídeo. Mas tem mais: eu sou muito carismática e faço conexões, puxo converso e descubro pautas facilmente.
“Tu te acha, né?” apenas cansei de ouvir isso sobre mim. Geralmente esta frase estava relacionada a minha estética, mas agora eu me acho também como profissional. Fora os dias em que choro não me achando capaz de nada e tendo a certeza de que sou uma impostora. Enfim, mulheres, mães e profissionais, eis aqui mais uma de nós.
Em tempo: obrigada, Shakira. ‘‘Estoy Aquí’, pelo discurso, pelo olhar e reconhecimento a todas nós Mulheres, mães, lobas.
Márcia Dihl é jornalista e coordenadora de Produção do Coletiva.tv.

