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Faça o que eu digo; não faça o que eu faço

Por Iraguassu Farias, para Coletiva.net

Nada como uma crise tão ampla pra se perceber algumas coisas muito interessantes. A primeira delas é que, por ser generalizada, minimiza um pouco o esforço sempre comum de ser achar culpados. Embora alguns deputados federais insistam em achar um lá na velha e boa China.

Mas não era disto que eu queria falar. Era sobre outra coisa. Trabalhar no “veiculo dos veículos e das agências”, além de ser uma caixa de ressonância que reverbera o que vai por aí, dá uma condição inigualável, que é acompanhar as “ondas” do mercado, a tendência, o comportamento dos componentes dele.

Uma grande discussão até bem pouco tempo atrás, era o conceito de empreendedor. Parece que agora foi substituído por ser covarde ou não por ficar em casa e não estar lutando na rua pra economia não parar.

Sem querer ter a pretensão de afirmar o que é certo ou não, fiz algumas observações. Como todo o negócio, nós do portal também dependemos de receita proveniente de publicidade. E como é interessante ver comportamento dos iguais na contramão do que eles mesmos gostariam que fosse. Refiro-me à emissoras de rádio, jornal, e outros agentes, incluindo agências de propaganda.

– tem empresário que desinveste em publicidade, a fim de reestruturar-se e evitar ter de demitir pessoas ou cortar outros custos de pessoal; 

– tem empresário que já demitiu, já mandou embora preventivamente e já cortou sua publicidade;

– tem empresário que interrompeu, suspendeu, mas não cancelou seus contratos de publicidade;

Há certamente outras situações. Todas são muito difíceis de ser adotadas, eu sei. E também sei que algo tem de ser feito. Mas, como sempre, vamos de “Edward Mãos de Tesoura”.

O que queria estabelecer como paralelo é o paradoxo do título, ou seja, veículos e agências padecem, reclamam, resmungam quando seus clientes cortam verbas, suspendem campanhas e, consequentemente, limitam suas receitas e comprometem sua estabilidade. Mas são os primeiros a fazerem o mesmo: ameaçou? Corta! Nem vou me referir a manter inalterado seu ganho como empresário, seu pró, seu dividendo, pois é um terreno minado este.

Já tivemos por aqui as três situações: o empresário que reestrutura, mas não corta; o que suspende momentaneamente, esperando ver o que vai acontecer e procura alternativas; e o que, tal qual o velho da carrocinha de cachorro quente, já cortou, já encolheu, e já demitiu. Cada um sabe onde aperta seu sapato e não passaremos incólumes por esta crise sem perder anéis. Infelizmente, alguns perderão os dedos e isto é triste.

Se acertadas ou não as medidas acima, só o tempo vai dizer. Mas que tem gente aproveitando-se da crise pra arrumar a casa, isto tem. Medidas amargas que antes eram ruins de tomar, agora encontram um belo guarda-chuva. Estamos muito acostumados com a ressonância do centro do País e até mesmo das capitais dos estados. Porém, a realidade do interior é muito diferente. É lá que o sapato vai apertar terrivelmente.

E, sem dúvida, tem o empresário que, por suspeita de redução da atividade econômica, já demitiu, já reduziu antecipadamente. São os que não admitem perder um tostão da remuneração do seu capital.

C”est l avie.

Iraguassu Farias é diretor comercial de Coletiva.net.

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*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

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