Fake news - novo desafio da comunicação

Por Valter Kuchenbecker, para Coletiva.net

Já dizia o velho guerreiro: "Quem não se comunica, se trumbica". É verdade. Mas e agora que estamos vivendo a comunicação global na palma de nossas mãos, o que percebemos? Uma confusão generalizada. Uma desordem total. Uma boataria. Uma preocupação cada vez menor com a fonte e a veracidade da informação.

Todos nós recebemos, diariamente, milhares de bytes, de mensagens, via whats, via hangouts, via facebook, via instagram, etc. Como filtrar o que é verdade ou mentira?

Talvez o maior problema da comunicação moderna hoje sejam as fake news. Mas o que é isso? São as notícias falsas que visam unicamente a deturpar e confundir as pessoas e propagar a tragédia, gerando medo e desordem. São informações noticiosas que não representam a realidade. São compartilhadas na internet, principalmente, por meio das redes sociais. Por serem, normalmente, de conteúdo polêmico e apelativo, atraem facilmente a atenção das massas, especialmente aquelas mais desinformadas, desprovidas de senso crítico. Está aí o grande desafio da comunicação moderna.

Como lidar com as fake news, como identificá-las, como checar as fontes em tempo razoável para não promover a mentira? Em quais fontes posso confiar? Este, sem dúvida, é o nosso maior desafio. Estamos nos comunicando cada vez mais, sim! Mas estamos nos comunicando mal. De que adianta tanto acesso a informação se não sabemos o que fazer com ela? E, pior do que isso, correr o risco de fazer mal-uso dela.

Como profissionais da comunicação, precisamos nos abrigar fortemente em nossos princípios e valores como a ética, o respeito e a verdade. Checar a informação e testar seu conteúdo é fundamental. Mesmo que não se consiga aquele 'furo' de reportagem. Vamos assumir cada vez mais a responsabilidade pela informação qualificada e correta. Vamos condenar o imediatismo, a boataria, bem como a notícia mentirosa, falsa que destrói. Como formadores de opinião, precisamos zelar para que se forme um povo mais culto, mais educado, mais ético.

Aliás, como bem disse a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, a imprensa ocupa um papel fundamental na defesa da verdade, da cidadania e do cumprimento da carta magna da república, nossa constituição. A liberdade de imprensa é fundamental. Vamos, pois, exercê-la com dignidade.

Precisamos, sim, abrir espaço ao contraditório, mas com respeito e com discernimento. Precisamos lembrar de valorizar mais o ser, ao invés, do ter. Respeitar o ser humano e não se dobrar ao vil metal.

Além de sempre buscarmos a fonte verdadeira das notícias, precisamos, também, nos perguntar: qual a repercussão desta notícia? De que forma contribui para a melhoria da sociedade? A informação que detenho promoverá o bem comum ou propagará a tragédia e a revolta?

Lamentavelmente, algumas disciplinas que considero fundamentais para formação dos profissionais foram retiradas da matriz curricular das faculdades, tais como ética, lógica, relações interpessoais, etc. Sem dúvida, a falta deste estudo reflete a confusão em que vivemos, como as fake news e a maioria dos problemas de comunicação que enfrentamos.

Enfim, hoje, a celeridade da informação se sobrepõe a qualidade da mesma, percebemos isso na TV e no rádio, mas não podemos esquecer: informação falsa só traz prejuízo e não constrói uma sociedade. Pensemos nisto!

Valter Kuchenbecker é diretor da Ulbra TV.

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