Por Antônio Goulart
O Brasil tem uma longa tradição em prêmios de jornalismo. Tudo começou, de forma sistemática, em 1955, com o Prêmio Esso de Reportagem, que vem sendo mantido até hoje e está prestes a completar 60 anos. A inspiração provavelmente tenha vindo dos Estados Unidos com o mundialmente consagrado Prêmio Pulitzer, criado em 1917, e com o também prestigiado Maria Moors Cabot, da Universidade de Columbia, de 1939. Outros dois de projeção internacional são o Prêmio Rei da Espanha e o Prêmio de Excelência Jornalística da SIP (Sociedad Interamericana de Prensa). Em nosso país, depois do Esso, que tem abrangência nacional, a primazia é do Prêmio ARI de Jornalismo, de caráter regional, e que está completando 56 anos.
O que se observa hoje, entre nós, é uma segmentação cada vez maior de prêmios na área de jornalismo, passando pelos mais diversos setores de atividade, do agronegócio aos direitos humanos. Será que essa profusão de concursos não pode desviar o foco do profissional de imprensa, que passa a encarar seu ofício como uma competição? Esse risco existe, caso o jornalista coloque o prêmio como objetivo maior do seu trabalho.
A rigor, o prêmio, seja ele qual for, não deve ser o objetivo principal de quem escreve, mas sim a consequência de um trabalho bem feito, que obteve primeiro o reconhecimento do leitor e da opinião pública como um todo. É o coroamento de uma tarefa, é um bônus a posteriori. Nunca uma meta a ser perseguida de antemão, isso seria desvirtuar a função primordial do jornalismo.
O compromisso do jornalista ao abordar um assunto – seja de forma lúdica, seja penetrando nos meandros de uma investigação séria ou colocando a própria vida em risco -, não é buscar a conquista de um troféu; seu compromisso, acima de tudo, é com a verdade, contada de forma correta, convincente e ética.
Sendo assim, todo prêmio no campo da comunicação social é bem-vindo, já que contribui também para ampliar o leque de temas a serem explorados pelos nossos veículos e levados ao conhecimento da sociedade. Para o profissional, surge, primeiramente, como um desafio à distância. E quando é conquistado, vira uma justa recompensa e um estímulo para o aprimoramento da sua produção futura. O detentor de um troféu é um vencedor. Como diz o título do livro sobre o Prêmio Esso: “Uma história de vencedores”.
O mais recente prêmio, que está sendo lançado no momento, é o Prêmio José Lutzenberger de Jornalismo Ambiental, que tem como promotores a Associação Riograndense de Imprensa (ARI) e a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes/RS), com a participação da empresa Braskem. Além de homenagear um dos pioneiros da ecologia no Rio Grande do Sul, a iniciativa visa a incentivar a divulgação de experiências positivas nesta área, valorizando reportagens que venham a revelar projetos bem-sucedidos dentro do tema considerado hoje como o mais relevante para a vida no planeta.

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