É trivial a imprensa fala em ética. Ética alheia, claro. Raramente nos olhamos no espelho com isenção para analisar nossa relação com a sociedade. Jornalista há mais de quatro décadas me incomoda sobremaneira a falta de humildade diante do nosso desempenho.
Publicar uma correção é hábito em poucos veículos. Quando acontece ocorre de maneira discreta, diferente da manchete errada. Nos veículos eletrônicos é ainda pior. O esclarecimento é feito com a rapidez semelhante àquela advertência do tipo “o Ministério da Saúde adverte…”.
Um debate jamais feito é sobre o excesso de opinião no jornalismo atual. A proliferação do “achismo” é uma ofensa. Se já era raro encontrar informações com argumentos a favor e contra com mesmo peso com a pandemia e radicalização isto se tornou impossível.
Junto com a transformação em entretenimento, a comunicação no Brasil se transformou em palanque, tribuna privilegiada para destilar ódios, divulgar preceitos ideológicos e transformar medíocres repórteres e apresentadores em “especialistas de tudo”. Dói ver ídolos a serviço de partidos ou agindo como robôs de oposição sistemática.
Causa revolta e tristeza constatar que a única régua empregada seja a audiência auferida. “Se o Ibope é bom, mantém” é a regra. Lamentável a falta de autocrítica, de análise isenta diante da indignação de tantos leitores/telespectadores/internautas/ouvintes indignados com a falta de isenção.
Algumas mídias oferecem diversidade de opinião, o que é um alento. No Rio Grande do Sul, porém, temos uma polarização de reflexos questionáveis para profissionais, anunciantes e público. Para nós, jornalistas, o mercado encolhe a cada ano. Demissões, fechamento de vagas e de veículos já nem chamam a atenção. “Crise” é sempre o argumento, mas será que o comportamento da mídia e dos profissionais não merece uma avaliação criteriosa e isenta, uma autocrítica sobre a nossa própria ética?
Gilberto Jasper é jornalista.

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